O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou que Israel está "salvando a cultura ocidental" ao enfrentar o Irã - nação que classificou como uma ameaça teocrática ao capitalismo e aos valores judaico-cristãos.
Em entrevista ao La Nación na quinta-feira (19), o mandatário disse que Tel Aviv está travando uma batalha em nome do Ocidente, enquanto denuncia a "demonização" de Israel e associa os ataques ao país à esquerda global e a grupos extremistas como Hezbollah, Hamas e os Houthis.
Na mesma entrevista, o presidente argentino afirmou que os ataques a Israel têm como objetivo destruir o sistema capitalista, cuja base moral, segundo ele, está na cultura judaico-cristã.
Referindo-se ao Irã como "inimigo da Argentina", Milei alertou para o perigo de que o país persa se torne uma potência nuclear. Citando o chanceler alemão Friedrich Merz, declarou que Israel está fazendo "o trabalho sujo que outros não estão".
Milei argumentou que o Irã quer "exterminar a única democracia livre do Oriente Médio" e elogiou a atuação militar israelense, que, em sua visão, é precisa, ética e focada em alvos militares, apesar das inúmeras baixas civis que marcam os confrontos com Israel.
O presidente sustentou ainda que, sem o sistema de defesa Iron Dome, Israel teria sofrido mais de um milhão de mortes. Relembrando ataques israelenses ao Iraque (1981) e à Síria (2007), afirmou que o país volta agora a proteger o Ocidente.
Derramamento de sangue
Em contrapartida, na quinta-feira (19), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyyed Abbas Araghchi, afirmou que foi Israel, e não seu país, quem "iniciou todo este derramamento de sangue", e acusou os israelenses — a quem chamou de "criminosos de guerra" — de atacar hospitais e civis.
Ele negou que os mísseis iranianos tenham como alvo áreas residenciais e disse que as ações militares do país seguem o direito internacional. A missão iraniana na ONU reforçou que suas operações visam apenas instalações ligadas à ofensiva israelense e criticou o uso de sistemas de defesa de Israel em áreas urbanas.
Na mesma linha, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano sublinhou que os alvos que atacam em território israelita são centros militares e econômicos: "Os nossos alvos não incluem zonas residenciais, edifícios normais ou hospitais. Sei como os nossos ataques com mísseis são cuidadosamente planeados e como respeitam as normas éticas e o direito internacional da guerra", afirmou.
A missão permanente do Irã junto das Nações Unidas rejeitou categoricamente a "falsa afirmação" de que tinha atacado um hospital.
"As nossas medidas de autodefesa são precisas e estão em total conformidade com o direito internacional, e são dirigidas apenas contra instalações diretamente envolvidas e que apoiam a agressão ilegal do regime. Ao contrário dos fanáticos israelitas, o Irã está comprometido com o direito humanitário internacional e não tem como alvo civis ou as suas infraestruturas", criticou o ministro.
COMO IRÃ E ISRAEL CHEGARAM AO CONFRONTO DIRETO, APÓS QUATRO DÉCADAS DE TENSÃO? ENTENDA EM NOSSA LINHA DO TEMPO.