O tenente-coronel Mauro Cid confirmou nesta terça-feira (24), no Supremo Tribunal Federal (STF), as informações prestadas em sua delação premiada, que aponta o general Walter Braga Netto como envolvido em um plano de golpe de Estado no fim do governo Jair Bolsonaro.
A acareação foi conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, e durou cerca de 1h30.
A sessão ocorreu a portas fechadas, mas a ata foi divulgada pelo STF. A audiência reuniu Cid e Braga Netto, ambos réus na ação penal, além de seus advogados, o procurador-geral da República Paulo Gonet e a defesa dos demais acusados, entre eles, a do ex-presidente Jair Bolsonaro. A gravação da acareação não foi autorizada.
Durante o encontro, Cid negou ter sofrido qualquer tipo de pressão por parte da Polícia Federal para firmar o acordo de colaboração. Braga Netto, por sua vez, manteve a acusação de que o ex-ajudante de ordens mentiu em seus relatos. Os dois militares sustentaram suas versões sem alterações, mesmo diante dos questionamentos do ministro.
A acareação foi solicitada pela defesa de Braga Netto, que está preso desde dezembro sob a acusação de tentar obstruir as investigações e obter acesso indevido aos depoimentos prestados por Cid. A legislação prevê que o réu pode requerer esse tipo de confronto para esclarecer divergências.
Logo após, foi realizada uma segunda acareação, entre o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o general Freire Gomes, ex-comandante do Exército. A audiência, também conduzida por Moraes, teve duração aproximada de uma hora.
O pedido dessa segunda acareação partiu da defesa de Torres, que busca esclarecer contradições no depoimento de Freire Gomes. Embora não seja réu, o general é considerado uma das principais testemunhas daacusação.