Em meio à guerra tarifária impulsionada pelos Estados Unidos e à forte reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o último relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre o Brasil traz recomendações que, de maneira surpreendente, contradizem as políticas promovidas pelo governo Lula.
De acordo com o documento divulgado na última quinta-feira (17), o Brasil deve "continuar eliminando gradualmente o imposto sobre transações financeiras e eliminar a prática associada de múltiplas moedas".
Precisamente, esse imposto que o FMI sugere remover é o mesmo que Lula havia aumentado por meio de um decreto que foi anulado pelo Congresso em junho, mas que na quarta-feira (16) foi restabelecido pelo juiz do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
O FMI recomenda ao Brasil a implementação da reforma do IVA, que já está em andamento, com o objetivo de simplificar o sistema tributário e impulsionar a produtividade. Outro ponto mencionado no relatório é a reforma do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, visando melhorar a progressividade do sistema tributário e a mobilização de receitas internas.
O Fundo acredita que "um marco fiscal reforçado com um forte ancla a médio prazo aumentaria a credibilidade e a sustentabilidade".
Além dessas recomendações, o Fundo também publicou uma análise do crescimento econômico do Brasil, antecipando que este ano será de 2,3%, em comparação aos 3,4% do ano passado.
A projeção para o médio prazo aponta para uma recuperação de até 2,5%, como resultado da normalização da política monetária, da reforma do IVA e do aumento da produção de hidrocarbonetos.
QUAL É O PAPEL DO FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL (FMI) NA ECONOMIA GLOBAL? DESCUBRA EM NOSSO ARTIGO.