Lula rebate imprensa dos EUA, que sugeriu poupar Trump de críticas: 'não há motivo pra medo'

Nesta quarta-feira (30), o New York Times publicou uma entrevista com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que voltou a conversar com o jornal depois de 13 anos.

Ao longo do diálogo, o entrevistador Jack Nicas indagou se a postura do brasileiro não poderia ''piorar as coisas'', lembrando que enquanto ''muitos outros chefes de Estado tem evitado criticar Trump publicamente'', Lula tem ''o criticado abertamente, até o chamando de imperador''. 

O presidente rebateu, afirmando que não tem medo: ''Não há razão para ter medo. Estou preocupado, obviamente, porque temos interesses econômicos, interesses políticos, interesses tecnológicos. Mas em nenhum momento o Brasil negociará como se fosse um país pequeno contra um país grande. O Brasil negociará como país soberano'', enfatizou. 

Nesse contexto, destacou que durante as negociações, as questões políticas não podem ser misturadas com as comerciais: ''Não posso simplesmente enviar uma carta a Trump dizendo: 'Escute, Trump, o Brasil não fará isso e aquilo se você não fizer isso e aquilo com Cuba'. Não posso fazer isso – por respeito aos Estados Unidos, à diplomacia e à soberania de cada nação''.

Vale lembrar que, segundo o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que liderou a comitiva de congressistas que foram a Washington para negociar as tarifas, os Estados Unidos exigem que Brasília reveja suas relações comerciais com Moscou:

Os laços entre Pequim e Brasília também foram mencionados, mas ''o petróleo russo concentrou as preocupações centrais'', revelou a assessoria de imprensa do parlamentar.

Entenda o aumento das tensões comerciais entre Brasil e EUA em nosso artigo.