
EUA destroem contraceptivos destinados à África e deixam 1,4 milhão de mulheres sem cuidados

O governo dos Estados Unidos decidiu incinerar US$ 9,7 milhões em contraceptivos destinados à África, medida que deixará 1,4 milhão de mulheres e adolescentes sem acesso a cuidados reprodutivos essenciais, segundo relatório recente da Federação Internacional de Planejamento Familiar (IPPF).
Impactos na saúde reprodutiva em vários países africanos
A destruição dos insumos, com validade até 2029, pode resultar em 174 mil gravidezes não planejadas e 56 mil abortos inseguros em países como República Democrática do Congo, Quênia, Tanzânia, Zâmbia e Mali, de acordo com a ONG.
Na Tanzânia, 1 milhão de contraceptivos injetáveis e 365 mil implantes (28% da demanda anual) deixarão de ser distribuídos. No Mali, 1,2 milhão de pílulas e 95,8 mil implantes (24% do necessário) ficarão indisponíveis.

No Quênia, 108 mil mulheres perderão acesso a implantes, agravando estoques zerados e déficit de 46% no programa nacional. Na Zâmbia, serão 48,4 mil implantes e 295 mil contraceptivos injetáveis retirados do mercado.
Rejeição à proposta de redistribuição
A IPPF ofereceu redistribuir os insumos sem custos, mas a agência americana USAID recusou a proposta. Marie Evelyne Petrus-Barry, diretora regional da IPPF, classificou a decisão como "lamentável e extremamente dispendiosa", especialmente em regiões afetadas por crises humanitárias, como o Congo.
Consequências para a mortalidade materna
De acordo com o The Guardian, Nelly Munyasia, da Rede de Saúde Reprodutiva do Quênia, alerta que "os abortos inseguros continuam entre as cinco principais causas de mortalidade materna". A falta de contraceptivos deve agravar essa situação. No Quênia, 20% das adolescentes entre 15 e 19 anos já estão grávidas ou são mães.
O Departamento de Estado dos EUA afirmou, segundo a imprensa, que não encontrou "compradores elegíveis" devido a leis que impedem ajuda a entidades associadas ao aborto.
