A controvérsia voltou a agitar o cenário político na Argentina após o Governo de Javier Milei decidir conceder a impressão das novas notas do país a uma empresa chinesa, uma medida que parece contrariar sua posição antissocialista, anticomunista e pró-EUA.
De acordo com uma reportagem da mídia argentina Clarín, a atribuição da impressão de pesos argentinos à China é inexplicável para os partidários de Milei, já que difere de sua linha radical de apoio aos EUA e a Israel. Além disso, a Argentina não pode produzir sua própria moeda porque a Casa da Moeda do país sul-americano não conseguiu concluir a atualização de seus equipamentos devido a uma dívida com fornecedores estrangeiros.
Dessa forma, a Administração de Milei, que tem dito repetidamente que não romperá relações com Pequim, estaria confiando à China - como se espera que o Banco Central aprove na próxima quinta-feira - a produção das novas cédulas de 20 mil pesos, equivalentes a cerca de 22,93 dólares, com a imagem do herói argentino Juan Bautista Alberdi.
As reclamações entre os seguidores "libertários" de Milei começaram a ressoar meses atrás, após seu Governo concedeu à China a impressão de cerca de 800 milhões de pesos, ou mais de 917 mil dólares, em notas de 10 mil pesos (cada uma equivalente a 11,46 dólares), que começarão a chegar à Argentina entre maio e junho.
De acordo com o Clarín, a diretoria do Banco Central da Argentina está prestes a aprovar uma empresa chinesa como vencedora do concurso aberto em 11 de abril para a produção das notas de 20 mil, um processo do qual também participaram empresas de Malta, Alemanha e França.
De acordo com o veículo, a decisão do Governo de Milei foi "devido a questões técnicas" e a uma cotação "muito agressiva" da empresa asiática, que já era a favorita devido aos seus custos de produção mais baixos. Se o Banco Central finalmente confirmar a medida, cerca de 230 milhões de pesos com a figura de Alberdi seriam impressos na China, mais de 263 mil dólares pela taxa de câmbio.