Justiça dos EUA condena Johnson & Johnson a pagar US$ 40 mi por câncer ligado a uso de talco

Segundo os autos, companhia sabia dos riscos desde os anos 1960 e omitiu informações dos consumidores.

Um júri da Califórnia condenou na última sexta-feira (12) a Johnson & Johnson a pagar US$ 40 milhões (aproximadamente R$ 200 milhões) a duas mulheres que alegam ter desenvolvido câncer de ovário após décadas de uso do talco para bebês da empresa.

O tribunal concluiu que a companhia conhecia os riscos do produto, mas não alertou os consumidores. As informações foram divulgadas pela agência Reuters. 

Monica Kent foi diagnosticada em 2014, e Deborah Schultz, em 2018. Ambas, residentes da Califórnia, relataram ter usado o talco diariamente após o banho por cerca de 40 anos. O tratamento incluiu cirurgias extensas e dezenas de sessões de quimioterapia, segundo depoimentos no julgamento.

O advogado Andy Birchfield afirmou ao júri que a Johnson & Johnson sabia, desde os anos 1960, da ligação entre o uso do talco e o câncer. "Eles sabiam e estavam fazendo tudo o que podiam para esconder, para enterrar a verdade sobre os perigos", declarou.

A defesa da empresa contestou, alegando falta de evidências científicas e destacando que nenhuma autoridade de saúde dos Estados Unidos reconhece o talco como causa de câncer. 

Mais de 67 mil processos foram abertos contra a empresa por consumidores que afirmam ter desenvolvido câncer após o uso prolongado de talco. A Johnson & Johnson alega que seus produtos são seguros, não contêm amianto e não provocam câncer. O talco foi retirado do mercado dos EUA em 2020 e substituído por uma fórmula com amido de milho.

A companhia tentou encerrar os litígios por meio de pedidos de falência, estratégia rejeitada por tribunais federais três vezes, a última em abril. Com a negativa judicial, os processos foram retomados. O caso das duas californianas foi o primeiro a ir a julgamento desde a última tentativa de falência.

Antes dessas tentativas, a empresa já havia sido condenada em outros julgamentos, com indenizações bilionárias. A maioria dos processos está relacionada a câncer de ovário, mas há também ações envolvendo mesotelioma, uma forma rara de câncer, que seguem em andamento nos tribunais estaduais dos Estados Unidos.