Rússia conclui megaexpedição científica na África e mira expansão da pesca

Iniciativa concluída pelo governo russo utilizou navios de pesquisa para catalogar centenas de espécies e consolidar acordos de pesca com países como Marrocos e Serra Leoa.

Cientistas russos concluíram a Grande Expedição Africana, um levantamento costeiro de dois anos de recursos biológicos aquáticos na costa da África, informou o governo russo na sexta-feira (6).

O vice-primeiro-ministro russo, Dmitry Patrushev, observou que a expedição, que começou em agosto de 2024, estudou o potencial para o desenvolvimento da pesca doméstica em áreas marinhas remotas e o fortalecimento da cooperação com parceiros africanos.

O governo detalho que o levantamento avaliou o estado dos recursos biológicos aquáticos nas águas do Marrocos, Mauritânia, Guiné-Bissau, Guiné, Serra Leoa e Moçambique.

O vice-ministro enfatizou que os dados coletados tiveram "significância prática para garantir uma pesca sustentável, eficiente e ambientalmente segura", acrescentando que foi "o primeiro estudo de tal escala na história moderna do país".

Um dos resultados é a expectativa de que a captura russa na zona de pesca atlântica do Marrocos possa aumentar de cerca de 60 mil para 90 mil — 100 mil toneladas por ano, principalmente as espécies cavala e carapau. A cooperação científica foi fortalecida com países costeiros, incluindo um acordo de pesquisa pesqueira com Moçambique, e a primeira Comissão de Pesca Rússia-Serra Leoa alocou uma cota de captura de 40 mil toneladas e acesso para 20 embarcações russas.

Ilya Shestakov, o chefe da Rosrybolovstvo (Agência Federal Russa de Pesca), disse que as informações coletadas serão usadas para organizar a pesca em parceria com países costeiros.

"Cientistas estão atualmente continuando a analisar os dados obtidos durante a expedição e a preparar recomendações para os pescadores russos", disse o comunicado.

Grande Expedição Africana

A Grande Expedição Africana foi lançada em agosto de 2024 no porto de pesca marítima em Kaliningrado, Rússia, com dois navios de pesquisa (Atlantida e Atlantniro), e equipes de especialistas em oceanologia, ictiologia e campos relacionados.

O projeto visava levantar recursos biológicos aquáticos nas zonas econômicas exclusivas dos estados costeiros africanos. Foi desenhado para avaliar a biomassa, abundância de espécies e outras características dos peixes para apoiar a pesca sustentável.

Relatórios em outubro observaram que a fase de pesquisa de recursos de fundo havia sido concluída em dois países africanos. Em Serra Leoa, 221 espécies de peixes e 111 crustáceos foram registrados, enquanto na Guiné-Bissau, 300 peixes e 56 crustáceos foram documentados.