O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, declarou neste domingo (8) que os países da América Latina devem decidir seu caminho político e suas alianças internacionais por conta própria, segundo comunicado publicado no site da chancelaria chinesa.
"Os recursos dessa região pertencem aos seus povos e o cenário internacional do século XXI não deve repetir os velhos feitos do século XIX", afirmou o ministro chinês durante coletiva de imprensa realizada no âmbito das Duas Sessões da Assembleia Popular Nacional e do Comitê Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês.
Wang destacou que a cooperação entre a China e a América Latina se baseia na ajuda mútua e no apoio recíproco entre os países do Sul Global. Ao fazer um balanço das últimas cinco décadas, o chanceler ressaltou que a chave para o rápido desenvolvimento das relações sino-latinoamericanas reside no fato de que Pequim sempre respeitou os povos da região e manteve uma relação de igualdade e benefício mútuo com todos os países da América Latina.
"Nunca interferimos nos assuntos internos de outros países"
"Nunca fazemos cálculos geopolíticos, nunca interferimos nos assuntos internos de outros países e nunca pedimos a ninguém que tome partido", afirmou Wang. O ministro lembrou também que, durante a reunião ministerial do Fórum China-Celac do ano passado, ambas as partes lançaram cinco grandes projetos conjuntos nas áreas de unidade, desenvolvimento, civilização, paz e laços populares, traçando um plano para que a China e a América Latina avancem juntas rumo à modernização.
O chanceler enfatizou que a cooperação entre China e América Latina não é dirigida contra terceiros e nem deve ser perturbada por terceiros. "Independentemente de como a situação evolua, a China está disposta a trabalhar com os países latino-americanos para avançar com determinação na construção de uma comunidade com um futuro compartilhado entre a China e a América Latina, e permitir que a parceria integral beneficie os povos de ambas as partes", declarou.
A mensagem de Wang vem em um momento de crescente tensão geopolítica no qual os Estados Unidos intensificam suas advertências aos países latino-americanos sobre os riscos de aprofundarem seus laços com a China.