Zakharova relembra do sofrimento da Líbia após intervenção militar da OTAN

Há 15 anos, a Aliança Atlântica lançou uma intervenção militar direta na Líbia violando os princípios fundamentais do direito internacional, denunciou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, denunciou nesta quarta-feira (18) que a intervenção militar da OTAN na Líbia, que aconteceu em 19 de março, há 15 anos, mergulhou o país norte-africano em um caos e uma anarquia dos quais não conseguiu se recuperar até hoje.

Zakharova lembrou que "a Aliança do Atlântico Norte realizou uma intervenção militar direta na Líbia, contornando a Resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU e violando os princípios fundamentais do direito internacional".

"Ursula von der Leyen, Kaja Kallas e [Josep] Borrell, vocês se lembram qual era o codenome dessa operação da OTAN? Eu me lembro: 'Protetor Unificado'", acrescentou.

A porta-voz denunciou que esta agressão militar "provocou o colapso do Estado líbio e mergulhou o país, por muitos anos, em um estado de caos e anarquia". "De quem esse 'Protetor' estava protegendo? De quem a OTAN estava protegendo os líbios?", questionou.

A diplomata lembrou que, naquela época, "também se falou muito, como sempre", sobre democracia, liberdade e pluralismo, mas que a intervenção "se traduziu, na realidade, em ataques contra a população, destruição da infraestrutura civil e fornecimento de armas em violação ao embargo".

"Eles simplesmente destruíram aquele país e depois o abandonaram à própria sorte", destacou.

A porta-voz observou que esse final "não é surpreendente", já que os países da OTAN "agem dessa maneira em todos os lugares por onde passam". Zakharova citou como exemplos os casos da Iugoslávia, do Afeganistão, do Iraque e da Síria.

"Alguém assumiu alguma responsabilidade por isso? Vocês sabem a resposta a essa pergunta: 'não'", concluiu.