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Moro se filia ao PL e reata com família Bolsonaro de olho no governo do Paraná

O senador paranaense lidera pesquisas estaduais e deve enfrentar candidato apoiado pelo atual governador Ratinho Júnior, que desistiu da Presidência para fortalecer sua base política no estado.
Moro se filia ao PL e reata com família Bolsonaro de olho no governo do ParanáPL no Congresso

O senador e ex-juiz federal Sergio Moro formalizou sua filiação ao Partido Liberal (PL) nesta terça-feira (24), em cerimônia ao lado de Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à Presidência da República. A transição do partido União Brasil marca sua reaproximação com a família Bolsonaro e seus apoiadores, após anos de rompimento, e posiciona Moro como candidato ao governo paranaense.

A deputada federal Rosângela Moro, cônjuge do senador, também migrou do União Brasil para o PL, onde disputará a reeleição ao Congresso. A legenda anunciou ainda a candidatura ao Senado de Deltan Dallagnol, ex-procurador da Lava Jato, em que Moro atuou como juiz nos processos da 13ª Vara Federal de Curitiba.

Como principal juiz da Operação Lava Jato, Moro atuou em parceria com Dallagnol, então coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal, na investigação que resultou na condenação do presidente Lula por corrupção e lavagem de dinheiro.

Ainda durante a prisão de Lula, Moro deixou 22 anos de magistratura para comandar o Ministério da Justiça de Bolsonaro em 2019. Contudo, já em abril de 2020, o ex-juiz rompeu com o então presidente e deixou o cargo de ministro, acusando Bolsonaro de interferências na Polícia Federal.

Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou o ex-magistrado suspeito para julgar os processos de Lula, após mensagens reveladas pela imprensa na "Vaza Jato" mostrarem colaboração indevida entre juiz e acusação. As condenações foram anuladas, restabelecendo os direitos políticos de Lula. Durante a campanha eleitoral de 2022, Flávio Bolsonaro publicou um artigo de opinião na Folha de São Paulo, intitulado "Moro soltou Lula", responsabilizando-o pela anulação das condenações do petista por suas condutas parciais na Lava Jato.

Agora, o discurso mudou: o filho do ex-presidente manifestou confiança no trabalho de Moro e afirmou que ambos estão "olhando para frente".

O evento de filiação, segundo informações da Folha, foi marcado por ataques de Moro ao presidente Lula, alegando que foi eleito "em cima de uma mentira" sobre sua inocência, a despeito das anulações do STF pela atuação do ex-juiz. O senador afirmou que se sente respaldado na nova legenda e destacou repetidamente a necessidade de tirar o PT do Planalto.

Moro disputará o cargo executivo ocupado desde 2019 por Ratinho Júnior (PSD), que desistiu na segunda-feira (23) de lançar sua própria candidatura à Presidência e deve anunciar um aliado para disputar o governo do Paraná e concorrer contra Moro. Flávio alertou que, apesar da liderança de Moro nas pesquisas paranaenses, não se pode "baixar a guarda" diante do cenário eleitoral desafiador que se desenha no estado.