
Moro se filia ao PL e reata com família Bolsonaro de olho no governo do Paraná

O senador e ex-juiz federal Sergio Moro formalizou sua filiação ao Partido Liberal (PL) nesta terça-feira (24), em cerimônia ao lado de Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à Presidência da República. A transição do partido União Brasil marca sua reaproximação com a família Bolsonaro e seus apoiadores, após anos de rompimento, e posiciona Moro como candidato ao governo paranaense.
A deputada federal Rosângela Moro, cônjuge do senador, também migrou do União Brasil para o PL, onde disputará a reeleição ao Congresso. A legenda anunciou ainda a candidatura ao Senado de Deltan Dallagnol, ex-procurador da Lava Jato, em que Moro atuou como juiz nos processos da 13ª Vara Federal de Curitiba.
Nesta terça-feira, em Brasília, o senador Sérgio Moro (@sf_moro) e a deputada federal Rosângela Moro (@rosangelawmoro) assinaram sua filiação ao PL.A ficha foi abonada pelo presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto (@valdemarcostaoficial), pelo senador e pré-candidato… pic.twitter.com/vEs9kG4ZBS
— Partido Liberal - PL 22 (@plnacional_) March 24, 2026
Como principal juiz da Operação Lava Jato, Moro atuou em parceria com Dallagnol, então coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal, na investigação que resultou na condenação do presidente Lula por corrupção e lavagem de dinheiro.

Ainda durante a prisão de Lula, Moro deixou 22 anos de magistratura para comandar o Ministério da Justiça de Bolsonaro em 2019. Contudo, já em abril de 2020, o ex-juiz rompeu com o então presidente e deixou o cargo de ministro, acusando Bolsonaro de interferências na Polícia Federal.
Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou o ex-magistrado suspeito para julgar os processos de Lula, após mensagens reveladas pela imprensa na "Vaza Jato" mostrarem colaboração indevida entre juiz e acusação. As condenações foram anuladas, restabelecendo os direitos políticos de Lula. Durante a campanha eleitoral de 2022, Flávio Bolsonaro publicou um artigo de opinião na Folha de São Paulo, intitulado "Moro soltou Lula", responsabilizando-o pela anulação das condenações do petista por suas condutas parciais na Lava Jato.
Agora, o discurso mudou: o filho do ex-presidente manifestou confiança no trabalho de Moro e afirmou que ambos estão "olhando para frente".
O evento de filiação, segundo informações da Folha, foi marcado por ataques de Moro ao presidente Lula, alegando que foi eleito "em cima de uma mentira" sobre sua inocência, a despeito das anulações do STF pela atuação do ex-juiz. O senador afirmou que se sente respaldado na nova legenda e destacou repetidamente a necessidade de tirar o PT do Planalto.
Moro disputará o cargo executivo ocupado desde 2019 por Ratinho Júnior (PSD), que desistiu na segunda-feira (23) de lançar sua própria candidatura à Presidência e deve anunciar um aliado para disputar o governo do Paraná e concorrer contra Moro. Flávio alertou que, apesar da liderança de Moro nas pesquisas paranaenses, não se pode "baixar a guarda" diante do cenário eleitoral desafiador que se desenha no estado.
