Notícias

Um dos maiores exportadores de petróleo anuncia sua saída da OPEP e da OPEP+

A saída acontecerá a partir de 1º de maio.
Um dos maiores exportadores de petróleo anuncia sua saída da OPEP e da OPEP+Gettyimages.ru

Os Emirados Árabes Unidos anunciaram, nesta terça-feira (28), que deixarão a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e também o grupo OPEP+. O país se retirará de ambas as entidades a partir da sexta-feira, 1º de maio.

Segundo nota do governo emiradense, a medida corresponde a uma "visão estratégica e econômica de longo prazo".

O país integra a OPEP desde 1967, quando ainda era o Emirado de Abu Dhabi. A participação foi mantida após a formação do Estado atual, em 1971, resultante da fusão dos sete emirados.

« ENTENDA PORQUE A OPEP DECIDE O PREÇO DO PETRÓLEO NO MUNDO (E O QUE ISSO TEM A VER COM VOCÊ) »

Com a saída da organização, os Emirados Árabes se comprometeram a desempenhar um "papel responsável" no apoio à estabilidade do mercado global de petróleo. 

As autoridades afirmaram que a decisão não alterará o foco na cooperação entre produtores e consumidores. Segundo o governo, o movimento fortalecerá a capacidade de resposta do país diante das variações de demanda, especialmente diante da volatilidade geopolítica causada por instabilidades no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, que afetam a dinâmica da oferta global.

« ENTENDA PORQUE O ESTREITO DE ORMUZ É A VERDADEIRA ARMA DO IRÃ EM NOSSO ARTIGO »

Entenda o papel da OPEP e da OPEP+ no mercado global de petróleo

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) foi criada em 1960 por uma coalizão de cinco nações — Irã, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e Venezuela — como uma resposta estratégica ao domínio exercido pelas chamadas "Sete Irmãs", as grandes empresas de energia europeias e americanas que detinham o monopólio do setor na época.

Atualmente, o bloco é composto por 12 membros, incluindo países como Líbia, Argélia, Nigéria, Gabão, Guiné Equatorial, República do Congo e os Emirados Árabes Unidos. O objetivo central da organização, conforme seus estatutos, é coordenar as políticas petrolíferas de seus integrantes para estabilizar os mercados mundiais. A meta é garantir o fornecimento eficiente e regular para os consumidores, ao mesmo tempo em que assegura rendimentos estáveis para os produtores e retorno de capital para os investidores da indústria.

A expansão para a OPEP+

Para aumentar seu poder de influência, a organização estabeleceu parcerias com produtores que não fazem parte do bloco original, formando o grupo conhecido como OPEP+. Um marco dessa cooperação foi o acordo de 2016, que visava reduzir a produção global para conter a queda nos preços.

Nesse acordo, grandes produtores como Rússia (terceira maior do mundo), México e Cazaquistão passaram a atuar em conjunto com o grupo. A colaboração entre a OPEP e seus aliados também foi fundamental em 2020, quando ambos os blocos concordaram em cortar a produção para mitigar o impacto da pandemia de Covid-19, que havia derrubado drasticamente a demanda global.

Em 2025, autoridades brasileiras anunciaram a decisão de aderir à OPEP+.