
EUA apontam território europeu como próxima zona de conflito

O embaixador dos Estados Unidos na ONU, Michael Waltz, citou em seu perfil no X, no domingo (3), Gibraltar como um dos possíveis pontos de tensão internacional, em meio ao aumento das divergências entre Washington e Madri.
"Infelizmente, haverá conflitos no futuro e, seja no Estreito de Malaca, em Gibraltar ou em Ormuz, o mundo não pode permitir que se estabeleça o precedente de que uma das partes tente castigar as economias mundiais para obter vantagem sobre a outra", escreveu Waltz.
A declaração ocorre após o anúncio da retirada de cerca de 5 mil soldados norte-americanos da Alemanha e em meio a reiteradas críticas da Casa Branca à Espanha. Washington tem pressionado o governo de Pedro Sánchez por sua posição contrária à estratégia militar dos EUA.

Até agora, a ofensiva do presidente Donald Trump contra aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) tem sido principalmente verbal. Ele acusa países europeus de não colaborarem na guerra contra o Irã e na tentativa de desbloquear o Estreito de Ormuz.
A menção a Gibraltar coincidiu com uma declaração do secretário-geral da OTAN, Mark Rutte. Na segunda-feira (4), ele afirmou que houve "certa decepção" dos EUA com a reação europeia aos acontecimentos no Oriente Médio.
"Mas também diria que o que escuto dos meus contatos com líderes europeus é que eles captaram a mensagem", disse Rutte, sem incluir a Espanha entre os aliados mais alinhados a Washington.
Escalada de tensões
As divergências entre Espanha e EUA ganharam força após Sánchez rejeitar a elevação dos gastos com defesa para 5% do PIB, meta defendida dentro da OTAN. A tensão aumentou com a posição espanhola sobre a guerra na Faixa de Gaza.
Sánchez classificou a ofensiva de Israel em Gaza como genocídio. Mais recentemente, chamou de ilegal e contrária ao direito internacional a ação militar de Washington e Tel Aviv contra Teerã, iniciada no fim de fevereiro.
Nesse contexto, veio à tona há algumas semanas um documento interno do Pentágono que avaliava a possibilidade de suspender a Espanha da OTAN. A medida não está prevista nas regras da organização. "Não damos atenção a e-mails", respondeu Sánchez na ocasião.
As preocupações de Madri também envolvem Ceuta e Melilla, cidades espanholas no norte da África. Um distanciamento maior em relação a Washington poderia favorecer movimentos do Marrocos, que reivindica há anos a soberania sobre os dois enclaves.
Na Europa, líderes voltaram a adotar uma posição comum, distante da estratégia norte-americana. O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou na segunda-feira (4) que a França não participará de uma operação militar sem um marco claro.

