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Netanyahu admite que EUA e Israel avaliaram mal a situação no Estreito de Ormuz

"Não pretendo ter uma visão perfeita do futuro, e ninguém a teve", afirmou o primeiro-ministro israelense.
Netanyahu admite que EUA e Israel avaliaram mal a situação no Estreito de OrmuzGettyimages.ru / Alexi Rosenfeld

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, admitiu que, antes do início da agressão contra o Irã, em 28 de fevereiro, nem Tel Aviv nem Washington tinham noção da gravidade das consequências que a situação no Estreito de Ormuz poderia gerar.

"Não acredito que possamos quantificar isso com exatidão, mas penso que o problema do Estreito de Ormuz foi sendo compreendido à medida que os combates avançavam", declarou em entrevista à CBS News divulgada no domingo (10). Netanyahu comentava um relatório do The New York Times, citado pelo jornalista Major Garrett, segundo o qual ele e sua equipe acreditavam que as condições apontavam para uma vitória certa, afirmando que a República Islâmica "estaria tão debilitada que não conseguiria bloquear" a importante via marítima.

Ao ser perguntado se a situação foi mal interpretada no início, o chefe do governo israelense disse não ter certeza de que houve uma interpretação equivocada, apontando que "existe um grande risco para o Irã" ao bloquear o estreito. "Não pretendo ter uma visão perfeita do futuro, e ninguém a teve. Nem mesmo os iranianos", acrescentou. Ao mesmo tempo, destacou que "tampouco se havia previsto a extensão da represália militar iraniana" contra as instalações militares americanas e israelenses localizadas nos países vizinhos do Golfo Pérsico, nem os danos que ela causou.

Netanyahu lembrou que, durante sua visita à Casa Branca no início de fevereiro, tanto ele quanto o presidente dos EUA, Donald Trump, concordaram que "existia incerteza e risco". "Recordo que eu disse, e ele também, que o perigo reside em agir, em tomar medidas. Mas o perigo é ainda maior em não agir", detalhou.

  • Na madrugada de 28 de fevereiro, Israel e os Estados Unidos deram início a uma agressão conjunta com o objetivo declarado de "eliminar as ameaças" da República Islâmica do Irã. Desde o começo das hostilidades, milhares de infraestruturas civis, residências, centros de saúde e escolas foram destruídos ou severamente danificados no país persa.
  • Recentemente, as partes iniciaram um diálogo e concordaram com uma trégua. No dia 21 de abril, Trump anunciou a prorrogação do cessar-fogo com o Irã, que havia sido estabelecido 15 dias antes. Ele explicou que a decisão se devia ao fato de o governo iraniano estar "gravemente dividido" e a mediadores do Paquistão terem pedido a Washington que suspendesse os ataques contra a República Islâmica "até que seus líderes e representantes possam apresentar uma proposta unificada".
  • Além disso, o mandatário ordenou que as Forças Armadas dos EUA mantivessem o bloqueio naval no Estreito de Ormuz e permanecessem em estado de alerta e prontidão operacional. Por sua vez, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica declarou, em 18 de abril, que a via marítima permanecerá fechada até que Washington suspenda totalmente o bloqueio naval. "Aproximar-se do Estreito de Ormuz será considerado cooperação com o inimigo, e a embarcação infratora será atacada", advertiu a instituição.
  • Em 3 de maio, Trump anunciou uma iniciativa para libertar os navios retidos no Estreito de Ormuz. Segundo detalhou, o 'Projeto Liberdade' conta com a participação de destroyers de mísseis guiados, mais de cem aeronaves, plataformas não tripuladas multidomínio, além de 15 mil efectivos das Forças Armadas.