Netanyahu admite que EUA e Israel avaliaram mal a situação no Estreito de Ormuz

"Não pretendo ter uma visão perfeita do futuro, e ninguém a teve", afirmou o primeiro-ministro israelense.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, admitiu que, antes do início da agressão contra o Irã, em 28 de fevereiro, nem Tel Aviv nem Washington tinham noção da gravidade das consequências que a situação no Estreito de Ormuz poderia gerar.

"Não acredito que possamos quantificar isso com exatidão, mas penso que o problema do Estreito de Ormuz foi sendo compreendido à medida que os combates avançavam", declarou em entrevista à CBS News divulgada no domingo (10). Netanyahu comentava um relatório do The New York Times, citado pelo jornalista Major Garrett, segundo o qual ele e sua equipe acreditavam que as condições apontavam para uma vitória certa, afirmando que a República Islâmica "estaria tão debilitada que não conseguiria bloquear" a importante via marítima.

Ao ser perguntado se a situação foi mal interpretada no início, o chefe do governo israelense disse não ter certeza de que houve uma interpretação equivocada, apontando que "existe um grande risco para o Irã" ao bloquear o estreito. "Não pretendo ter uma visão perfeita do futuro, e ninguém a teve. Nem mesmo os iranianos", acrescentou. Ao mesmo tempo, destacou que "tampouco se havia previsto a extensão da represália militar iraniana" contra as instalações militares americanas e israelenses localizadas nos países vizinhos do Golfo Pérsico, nem os danos que ela causou.

Netanyahu lembrou que, durante sua visita à Casa Branca no início de fevereiro, tanto ele quanto o presidente dos EUA, Donald Trump, concordaram que "existia incerteza e risco". "Recordo que eu disse, e ele também, que o perigo reside em agir, em tomar medidas. Mas o perigo é ainda maior em não agir", detalhou.