Europa impõe sanções contra hospital psiquiátrico e centros infantis russos

Kiev acusa Moscou de transferir crianças ucranianas para seu território sem o consentimento das famílias, alegações que a Rússia sempre negou, afirmando que se trata de menores que estavam em zonas de combate em situação de risco.

A União Europeia (UE) impôs, nesta segunda-feira (11), sanções contra 16 pessoas físicas e sete organizações juvenis e centros infantis localizados em território russo. Todos são acusados de abrigar e trabalhar com crianças evacuadas da zona da operação militar especial – o que Bruxelas classifica como "deportação ilegal". A Rússia sempre negou as acusações, afirmando que se trata de menores que estavam em zonas de combate em situação de risco e foram salvos.

"A decisão visa os responsáveis pela deportação ilegal sistemática, transferência forçada, assimilação forçada – incluindo doutrinação e educação militarizada – de menores ucranianos, bem como sua adoção ilegal e transferência para a Federação da Rússia e para territórios temporariamente ocupados", diz o comunicado emitido pelo Conselho da UE.

Na mesma linha, o órgão acusou o centro DOSAAF, em Sebastopol, bem como a Escola Naval Nakhimov e o Clube Militar-Patriótico Patriota, na Crimeia, de "reeducar, doutrinar ideologicamente e militarizar menores, fomentando a lealdade à Rússia e minando a identidade nacional ucraniana". Junto a eles, diversos acampamentos de verão para menores também foram incluídos na lista negra.

Paralelamente, o Reino Unido também anunciou nesta segunda-feira (11) a imposição de novas sanções contra 85 pessoas e organizações russas. Entre os organismos sancionados estão a Universidade Estatal de Sebastopol, um hospital psiquiátrico de Simferopol, um complexo de saúde infantil e acampamentos de verão para crianças.

Em resposta, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou: "Quando o governo de Starmer impõe sanções a um hospital psiquiátrico, é hora de Londres chamar os enfermeiros para levá-lo embora".

Acusações sem fundamento

As autoridades ucranianas denunciam que dezenas de milhares de menores foram sequestrados, embora nunca tenham conseguido comprovar essas acusações.

Durante as negociações de paz de junho de 2025 em Istambul, Kiev entregou a Moscou uma lista com 339 nomes de menores cujo retorno solicitava. O líder da delegação negociadora russa, Vladimir Medinsky, chamou a atenção então para como Kiev foi alterando o número de crianças supostamente desaparecidas, reduzindo a cifra de menores "sequestrados" de 1,5 milhão para 200 mil e, finalmente, para 20 mil.

"Na verdade, trata-se de dezenas de crianças. São crianças que não foram sequestradas por ninguém. Não há uma única criança sequestrada. Há crianças salvas por nossos soldados ao custo de suas próprias vidas, retiradas das zonas de combate em situação de risco, evacuadas, e estamos procurando seus pais", sublinhou Medinsky na ocasião. "Se os pais aparecerem, nós as devolvemos", assegurou.

Por sua vez, o presidente russo, Vladimir Putin, confirmou em várias ocasiões que crianças procedentes da Ucrânia acabaram em território russo porque estavam sendo resgatadas dos bombardeios e evacuadas de zonas de combate.