
Chanceleres do BRICS reúnem-se esta semana em Nova Delhi; quais temas estarão em jogo?

Os ministros das Relações Exteriores dos países do BRICS se reúnem nesta quinta e sexta-feira (14 e 15 de maio) em Nova Dheli, Índia.
O evento, que será presidido pelo chanceler da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, conta com a participação do chanceler brasileiro, Mauro Vieira, que já se encontra no país asiático. A agenda também inclui sessões especiais com países-parceiros.
Warm welcome to the Foreign Minister Mr. Mauro Vieira of Brazil, as he arrives in New Delhi for the BRICS Foreign Ministers’ Meeting.🇮🇳 🇧🇷 pic.twitter.com/EOYTnQr1ST
— Randhir Jaiswal (@MEAIndia) May 13, 2026
Antes da reunião, Subrahmanyam Jaishankar participará de reuniões bilaterais, inclusive com Mauro Vieira e com o chanceler russo, Sergey Lavrov.
Na véspera da abertura do encontro de chanceleres do BRICS, em Nova Délhi, o Ministro Mauro Vieira foi recebido por Subrahmanyam Jaishankar, chanceler da Índia e anfitrião da reunião. A Índia preside o bloco este ano, e sediará a reunião de cúpula, em setembro. pic.twitter.com/k468O7FqAO
— Itamaraty Brasil 🇧🇷 (@ItamaratyGovBr) May 13, 2026
Pauta no contexto da incerteza global
A Índia, que assumiu a presidência rotativa do BRICS em 2026 após o Brasil, definiu como tema central o "Fortalecimento da resiliência, inovação, cooperação e estabilidade".
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Segundo a chancelaria indiana, na reunião, os representantes dos países membros do BRICS discutirão questões globais e regionais de interesse mútuo. No segundo dia, está prevista uma reunião com os países membros e parceiros do BRICS, seguida pela sessão focada em reformas de governança global.
Agenda econômica e energética
Segundo revelado pela chancelaria russa nesta quarta-feira (13) em comunicado, Nova Delhi prioriza o diálogo sobre segurança energética, transição energética e o desenvolvimento da Plataforma de Pesquisa Energética do BRICS.

A Rússia foca no fortalecimento do papel do bloco no sistema monetário e financeiro internacional. Iniciativas lançadas em 2024, como a Bolsa de Grãos do BRICS, Plataforma Geológica e Nova Plataforma de Investimentos, recebe especial atenção.
A questão surgiu em meio à crise energética causada pela agressão dos EUA e Israel contra o Irã. Em entrevista à RT nesta quarta-feira (13), o chanceler russo, Sergey Lavrov, destacou como "uma das tarefas mais urgentes no momento" a "questão da criação de mecanismos seguros, cadeias seguras e plataformas de liquidação seguras", que ele espera abordar na Índia.
"Hoje [os EUA] não gostam do que a Rússia está fazendo. Amanhã (e, na verdade, já hoje) não gostam do que a China está fazendo. Quem não agradar amanhã — pode ser qualquer país. Mas, antes de tudo, são os países do continente eurasiano, incluindo, aliás, os países do Golfo Pérsico. Acompanham com muita atenção como os americanos resolvem seus problemas. E o que acontecerá quando a ira de Washington se voltar contra alguém novo é difícil sequer de pensar", destacou Lavrov.
Reforma das instituições de governança global
Um dos pontos principais da agenda será o fortalecimento do multilateralismo, cooperação antiterrorismo e reforma das instituições de governança global (Conselho de Segurança da ONU, FMI e Banco Mundial), com ênfase no aumento da participação de países em desenvolvimento e mercados emergentes.
"Nossa interação tem como base o empenho em construir um modelo de ordem mundial multipolar, mais democrático e representativo, fundamentado no direito internacional e no respeito pela escolha soberana dos Estados quanto ao seu próprio caminho de desenvolvimento", declarou o ministério em comunicado.
Dimensão cultural
O programa indiano prevê também intensa agenda cultural, com a prioridade dada à dimensão humanitária, incluindo contatos nas áreas da ciência e ensino superior, desenvolver intercâmbios juvenis e iniciativas esportivas.
Crise no Oriente Médio: BRICS – o 'representante de dois campos'
A reunião ocorre em um contexto de incerteza global, com o mundo impactado pelo conflito no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz, que causa caos nos mercados energéticos. O grupo, que originalmente incluía Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, expandiu-se ao longo dos anos, incluindo agora dois representantes da região: Emirados Árabes Unidos e Irã,
No início de maio, os Emirados Árabes Unidos informaram que seus sistemas de defesa aérea interceptaram dois mísseis balísticos e três drones lançados do Irã. Em meio às tensões, Abu Dhabi se retirou da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), da OPEP+ e da Organização dos Países Árabes Exportadores de Petróleo (OAPEC). Segundo comunicado, a decisão está alinhada com sua intenção de concentrar-se no aumento de sua própria produção de petróleo.
Apesar das divergências entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, que estão em lados opostos da linha de frente em uma guerra iniciada pelos EUA e Israel, o grupo continua servindo como uma plataforma para discussão e representação das visões de um mundo multipolar.
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"Quando se fala do papel do BRICS na crise em torno do Estreito de Ormuz, não significa apenas a emissão de declarações — não, não é isso o que temos em mente. Nos referimos ao BRICS como uma plataforma que reúne representantes de dois campos, se assim podemos dizer: o Irã e os Emirados Árabes Unidos. Ambos são parceiros estratégicos muito próximos", declarou o chanceler russo às vésperas da reunião.


