Brasil é a chave para redução da dependência dos EUA da China em terras raras, afirma pesquisadora

Para Heather Conley, o país latino-americano tem potencial para se destacar na oferta global de minerais críticos, mas precisa agir com rapidez.

A pesquisadora Heather Conley, do American Enterprise Institute, destacou, durante o Summit do Valor em Nova York, que o Brasil surge como uma oportunidade para os Estados Unidos diversificarem seus fornecedores de minerais críticos, reduzindo a dependência da China, informou o Valor Econômico na quarta-feira (13).

Conley afirma que a questão de minerais críticos tem sido utilizada por Pequim como ferramenta de política externa, já que, segundo ela, "toda vez que a China quer fazer algo contra nós, toca nos minerais críticos".

"Então, globalmente, precisamos aproveitar oportunidades. Os chineses não querem que diversifiquemos nossa oferta, vão apertar esse botão sempre. Estamos falando de um setor que o Brasil pode se destacar", declarou a pesquisadora.

Conley observou que o cenário exige rapidez, uma vez que o tempo para desenvolver novas cadeias de suprimentos é limitado. "É um desafio e uma oportunidade. Precisamos aproveitar porque não existe muito tempo para vencer esse desafio", observou.

Brasil: peça-chave em plano mais amplo

A declaração ocorre em meio a movimentos recentes envolvendo ativos estratégicos no setor. Em 20 de abril, a empresa norte-americana USA Rare Earth anunciou a assinatura de um acordo para adquirir a mineradora brasileira Serra Verde Group. A operação foi avaliada em US$ 2,8 bilhões (cerca de R$ 14 bilhões) e ainda depende de aprovação regulatória.

Em março, o presidente criticou acordos firmados pelo governo de Goiás com empresas dos Estados Unidos para exploração de terras raras. 

Em fevereiro, o país foi convidado a integrar uma coalizão voltada ao fornecimento, à mineração e ao refino desses materiais.

O acordo proposto, no entanto, é visto com cautela por integrantes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Na avaliação deles, determinadas cláusulas podem, na prática, favorecer investidores norte-americanos.

Além disso, há o receio de tratamento desigual: o convite à Austrália para integrar a coalizão prevê investimentos mínimos bilionários e consultas ministeriais periódicas — dois pontos que não estão presentes no caso brasileiro.