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Irã aos EUA: 'Quem vence é quem impõe condições, não governo que fracassou'

O presidente da Comissão de Assuntos Internos do Parlamento iraniano, Mohammad Saleh Jokar, adverte que as dez condições do Irã são inegociáveis e reitera que não confiam no presidente dos EUA.
Irã aos EUA: 'Quem vence é quem impõe condições, não governo que fracassou'Gettyimages.ru / Artur Widak

O Irã, como parte vencedora no confronto com os Estados Unidos, é quem define as condições para um futuro acordo sobre o conflito, declarou neste domingo (17) o presidente da Comissão de Assuntos Internos do Parlamento iraniano, Mohammad Saleh Jokar.

Ele ressaltou que o plano de 10 pontos do Irã é a "linha vermelha" de qualquer negociação.

"O país vencedor no campo de batalha é aquele que impõe as condições, não um governo que fracassou, que não alcançou seus objetivos e apenas causou destruição. Portanto, os americanos devem aceitar essas nossas condições. Essas condições, como um direito legítimo nosso, são aceitas por todo o mundo", declarou Jokar em entrevista à agência Mehr.

O legislador iraniano reiterou que não confiam nos Estados Unidos nem em seu "presidente insolente e malvado", e advertiu que qualquer processo diplomático deve preservar as conquistas alcançadas no terreno. Entre as exigências iranianas que ele mencionou estão:

  • A passagem controlada pelo Estreito de Ormuz, em coordenação com as Forças Armadas do Irã.
  • O fim da guerra contra todos os componentes do Eixo da Resistência.
  • A retirada das forças combatentes americanas de todas as bases da região.
  • O pagamento integral dos danos ao Irã.
  • O levantamento de todas as sanções.
  • A aceitação do direito de enriquecimento do Irã.
  • A liberação de todos os bens e ativos iranianos bloqueados no exterior.

Trégua frágil e negociações por um fio

Embora os quase quarenta dias de intensas hostilidades tenham terminado em uma trégua entre os Estados Unidos e o Irã no último dia 7 de abril, as tensões permanecem entre ambas as partes devido ao fracasso das negociações de paz, à troca de ataques verbais e ao bloqueio naval mútuo aos navios comerciais no Golfo Pérsico e no Mar Arábico.

Donald Trump indicou em abril que Washington recebeu uma proposta de dez pontos apresentada por Teerã, que ele classificou como "uma base viável" para as negociações.

O presidente norte-americano estabeleceu inicialmente um prazo de duas semanas, mas depois o prorrogou até a conclusão das negociações com o Irã. Por sua vez, o país persa afirmou que os Estados Unidos sofreram "uma derrota inegável, histórica e esmagadora" ao se verem "forçados a aceitar" sua proposta de 10 pontos.

No entanto, posteriormente, Donald Trump afirmou que considera "totalmente inaceitável" o novo plano — a resposta que Teerã enviou em 10 de maio ao último rascunho de acordo promovido pelos Estados Unidos para pôr fim ao atual conflito no Oriente Médio — e o classificou como "um pedaço de lixo".