Violência armada tira 190 mil crianças das escolas no Rio, aponta estudo

O estudo "Percursos Interrompidos" revela que milhares de crianças tiveram o caminho para a escola bloqueado entre janeiro de 2023 e julho de 2025.

No Rio de Janeiro, a violência armada transformou o direito à educação em privilégio. O estudo "Percursos Interrompidos" revela que 190 mil crianças tiveram o caminho para a escola bloqueado entre janeiro de 2023 e julho de 2025.

O levantamento foi lançado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Instituto Fogo Cruzado e Grupo de Estudos de Novos Ilegalismos (GENI/UFF). No período analisado, foram registrados mais de 2 mil incidentes entre operações policiais, ações de grupos armados e barricadas.

O racismo estrutural aparece nos números: escolas de alto risco têm 53% de alunos pretos e pardos, contra 35% nas unidades seguras.

"O que os dados mostram é que, em determinados territórios, a imprevisibilidade do deslocamento passa a ser a regra, e não a exceção. Isso impõe barreiras silenciosas, mas persistentes, ao acesso à escola e aprofunda desigualdades que já estavam colocadas", alerta a pesquisadora Carolina Grillo em entrevista ao site do Unicef.

Maria Isabel Couto, diretora de dados e transparência do Instituto Fogo Cruzado, lembra que esse estudo é parte de uma pesquisa mais ampla sobre o impacto da violência armada na educação. "Já demonstramos, também em parceria com o Unicef, como a violência armada afeta a aprendizagem e a permanência na escola. Agora os dados indicam como o deslocamento é impactado. Esse conjunto de informação precisa ser utilizada se de fato queremos planejar políticas públicas de garantia do direito à educação e sobretudo políticas de prevenção da violência", afirmou.