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Comércio, energia e política: Putin faz balanço das negociações com China

O presidente russo resumiu as conquistas alcançadas nas negociações bilaterais durante sua visita oficial à China.
Comércio, energia e política: Putin faz balanço das negociações com ChinaSputnik / Alexander Kazakov

Nesta quarta-feira (20) após reunir-se com o presidente chinês Xi Jinping –, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou que as relações entre Moscou e Pequim atingiram um nível "verdadeiramente sem precedentes" e seguem em expansão no marco dos 25 anos do Tratado de Boa Vizinhança, Amizade e Cooperação entre os dois países.

"As nossas relações são autossuficientes, independentes da atual conjuntura global, e servem de modelo para a construção de relações entre países e povos", afirmou.

Putin observou que as conversas com Xi ocorreram em "uma atmosfera tradicionalmente calorosa, construtiva e amigável", durante a qual todas as questões da cooperação bilateral foram discutidas em detalhes.

Putin acrescentou que a declaração conjunta assinada ao final do encontro com Xi estabeleceu as áreas prioritárias da cooperação russo-chinesa. Foram assinados cerca de 40 documentos intergovernamentais, interinstitucionais e corporativos, muitos dos quais "visam aprofundar ainda mais a cooperação bilateral".

Crescimento do comércio bilateral

O presidente russo enfatizou que "a Rússia e a China são parceiros comerciais mutuamente importantes" e observou que, em 2025, o comércio entre as duas nações atingiu quase US$ 240 bilhões, e sua estrutura se expandiu, impulsionada, entre outros fatores, por bens de alto valor agregado.

As empresas modernas e medidas coordenadas pela Rússia e pela China para realizar pagamentos recíprocos em moedas nacionais contribuíram significativamente para o crescimento do comércio bilateral, explicou.

"Como resultado, praticamente todas as transações de exportação e importação russo-chinesas são realizadas em rublos e yuans", afirmou.

Moscou e Pequim estabeleceram "um sistema de comércio bilateral estável, protegido de influências externas e tendências negativas nos mercados globais", concluiu.

Cooperação energética

Putin enfatizou que Moscou e Pequim estão cooperando ativamente no setor energético.

"Nosso país é um dos maiores exportadores mundiais de petróleo, gás natural (incluindo gás natural liquefeito) e carvão. É claro que estamos dispostos a continuar garantindo de forma confiável o fornecimento ininterrupto de todos esses combustíveis para o mercado chinês em rápido crescimento", afirmou.

Putin também observou que a corporação estatal russa Rosatom está finalizando a construção de reatores nas usinas nucleares de Tianwan e Xudapu, na China, que "contribuirão significativamente" para um fornecimento de energia limpa e acessível no gigante asiático.

O presidente russo também mencionou o "grande potencial" para cooperação na área de energias renováveis ​​e para a implementação mais ampla de tecnologias verdes.

Desenvolvimento de rotas logísticas

O presidente russo observou que a Rússia e a China estão trabalhando juntas no desenvolvimento de rotas logísticas e de transporte, resultando em maior volume e velocidade no transporte de cargas e passageiros entre os dois países, maior capacidade nas passagens de fronteira e a criação de novos centros logísticos.

"A Rússia está modernizando suas principais linhas ferroviárias em direção ao leste, como a Transiberiana e a Ferrovia Baikal-Amur, e expandindo constantemente a infraestrutura do corredor de transporte transártico, incluindo sua principal artéria: a Rota Marítima do Norte", afirmou.

Na cooperação humanitária e cultural, o presidente destacou o aumento do turismo recíproco graças ao regime de isenção de visto.

Ele também anunciou a inauguração conjunta do Ano Russo-Chinês da Educação, com centenas de eventos planejados, e enfatizou a cooperação esportiva em preparação para os 10º jogos russo-chineses de verão, que começarão em breve na cidade russa de Kaliningrado.

Trabalhando juntos 

"Estamos trabalhando juntos pela paz e prosperidade universal", declarou Putin.

Ele argumentou que, Moscou e Pequim estão defendendo conjuntamente o direito internacional e as disposições da Carta da ONU em sua totalidade, cooperando no âmbito da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), do grupo BRICS e de outras estruturas internacionais, "dando uma contribuição significativa para a resolução de problemas globais e regionais urgentes".

  • O presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente da China, Xi Jinping, reuniram-se em Pequim para discutir as questões mais importantes e sensíveis das relações bilaterais. As negociações ocorreram em formatos mais restritos e mais amplos, com a participação de membros importantes da delegação russa que acompanha o presidente em sua visita à China.
  • Ao final do encontro bilateral, os chefes de Estado assinaram uma declaração conjunta sobre o fortalecimento da parceria abrangente e da cooperação estratégica, bem como o aprofundamento das relações de boa vizinhança, amizade e cooperação.
  • Putin e Xi também adotaram uma declaração conjunta sobre o estabelecimento de um mundo multipolar e um novo tipo de relações internacionais.
    Altos funcionários russos e chineses assinaram 20 documentos.