
EUA e Israel tinham nome para mudança de regime no Irã — NY Times

No início do conflito com o Irã, os Estados Unidos e Israel tentaram promover uma mudança de governo no país libertando o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad, que ocupou o cargo de 2005 a 2013, informou na terça-feira (19) o New York Times, citando fontes a par do plano.
O ex-presidente ficou ferido no primeiro dia da guerra em um ataque contra sua residência em Teerã que, segundo autoridades e um colaborador seu, havia sido planejado para libertá-lo da prisão domiciliar.
O ataque, feito pela Força Aérea israelense, tinha como objetivo matar os guardas que vigiavam Ahmadinejad.

Segundo autoridades americanas, o "plano ousado", elaborado pelos israelenses e sobre o qual Ahmadinejad havia sido consultado, deu rapidamente errado.
Ele sobreviveu ao ataque, mas, depois de ter estado à beira da morte, ficou desiludido com a ideia de uma mudança no poder.
Ele não é visto em público desde então, e seu paradeiro atual e seu estado de saúde são desconhecidos, informou o NYT.
Plano para acabar com o governo do Irã
De acordo com o jornal, tais ações faziam parte de um plano em várias etapas para acabar com o governo teocrático do Irã. O presidente americano, Donald Trump, e o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, entraram na guerra apostando em um plano arriscado de mudança de liderança que até mesmo alguns assessores de Trump consideravam pouco credível.
Em Washington, duvidavam especialmente da viabilidade de recolocar Ahmadinejad no poder.
Nos primeiros dias da guerra, autoridades americanas falaram sobre planos desenvolvidos com Israel para identificar alguém "pragmático" que pudesse assumir o comando do país.
O fato de autoridades americanas e israelenses verem Ahmadinejad como um possível líder de um novo governo no Irã constitui mais uma prova de que a guerra de fevereiro foi iniciada na esperança de instalar em Teerã uma liderança mais maleável, destacou o jornal.
Um colaborador de Ahmadinejad confirmou que o ex-presidente interpretou o ataque como uma tentativa de libertá-lo. Os americanos viam nele alguém capaz de liderar o Irã e com capacidade para lidar com "a situação política, social e militar", disse ele.
Ele sugeriu que os EUA o viam como uma figura semelhante a Delcy Rodríguez, que assumiu o poder na Venezuela como presidente encarregada depois que as forças americanas sequestraram o presidente Nicolás Maduro e, desde então, tem trabalhado em estreita colaboração com o governo Trump.
Durante seu mandato, Ahmadinejad foi um firme defensor do programa nuclear iraniano, um crítico ferrenho dos Estados Unidos e era conhecido por reprimir violentamente a dissidência interna, lembrou o veículo de comunicação.
No entanto, nos últimos anos, ele foi derrotado em tentativas de retornar ao poder em várias eleições presidenciais. Além disso, ele entrou em conflito com os líderes atuais, e rumores sobre sua lealdade se espalharam.

