'De Brest a Vladivostok': presidente de Belarus declara prontidão na defesa da 'pátria comum' com a Rússia

Os presidentes da Rússia e Belarus discutiram manobras conjuntas com unidades militares que utilizam armas nucleares.

Os presidentes de Belarus e da Rússia, Alexander Lukashenko e Vladimir Putin, realizaram uma videoconferência nesta quinta-feira (21) durante um exercício militar conjunto com unidades especializadas no uso de armas nucleares e apoio nuclear, informou a agência de notícias bielorussa Belta.

O presidente bielorusso enfatizou que esses exercícios, que começaram na terça-feira (19) com o objetivo de aprimorar a prontidão das forças armadas para empregar meios modernos de destruição, incluindo munições especializadas, representam o primeiro exercício militar conjunto desse tipo.

Ele explicou que os ministros da Defesa de ambos os países realizam o exercício trimestralmente, mas sem a participação dos presidentes.

Anteriormente, o Ministério da Defesa de Belarus esclareceu que se trata de um exercício de treinamento planejado no âmbito do Estado da União, que não é direcionado contra terceiros países e que não representa uma ameaça à segurança regional.

"Apoio totalmente: não estamos ameaçando ninguém. Mas temos esse tipo de armamento e estamos preparados para defender nossa pátria comum por todos os meios, de Brest a Vladivostok. Se algo está em nossas mãos, devemos saber como usá-lo", enfatizou Lukashenko.

O presidente bielorusso afirmou que visitou instalações em Belarus, no leste e no centro do país, e que elas estavam em boas condições. Ele acrescentou que conversou com generais russos presentes no local e que eles expressaram satisfação com o trabalho conjunto.

"Acredito que as atividades planejadas prosseguirão normalmente. Naturalmente, quem quiser ver algo nisso, verá. Mas é assunto nosso: estamos fazendo algo legal e continuaremos a fazê-lo, protegendo a vida do nosso povo", declarou Lukashenko.

Segundo a Belta, o presidente bielorrusso falou de um posto de comando no Ministério da Defesa, após receber informações sobre o plano de treinamento, que foi conduzido em coordenação com a Rússia.

O presidente também visitou um depósito de veículos de uma brigada de mísseis no distrito de Asipovichi, foi ao posto de comando do comandante e observou um lançador Iskander-M e um ataque simulado de míssil nuclear usando tecnologia de lançamento eletrônico.

De acordo com a reportagem, os exercícios foram conduzidos como em uma situação real de combate, exceto pelo fato de que nenhum míssil foi de fato lançado.

Em dezembro passado, o sistema de mísseis balísticos russo Oreshnik entrou em serviço em Belarus, onde foi realizada uma cerimônia solene para hastear a bandeira das Forças de Mísseis Estratégicos da Rússia.

Anteriormente, Lukashenko havia solicitado a Putin a implantação de sistemas de armas avançados, incluindo o Oreshnik, em seu país. Ele explicou que tal implantação serve como dissuasão contra potenciais adversários.

Sistema de mísseis sem precedentes

O Oreshnik é um novo míssil balístico russo de alcance intermediário, capaz de atingir velocidades hipersônicas de até Mach 10, cerca de 3 quilômetros por segundo. Seu alcance varia entre 800 e 5.500 quilômetros. O poder de um ataque maciço com o Oreshnik pode ser equivalente ao de um ataque nuclear: tudo no epicentro da explosão é pulverizado.

O primeiro uso operacional deste sistema de armas foi registrado em 21 de novembro de 2024, quando destruiu a fábrica Yuzhmash na Ucrânia, um dos maiores complexos industriais herdados da era soviética. Horas depois, o presidente russo confirmou que o novo míssil Oreshnik havia sido usado no ataque.

"Um dos mais novos sistemas de mísseis russos de alcance intermediário foi testado em condições de combate. Neste caso, com um míssil balístico em configuração hipersônica não nuclear", anunciou Putin. "Não há possibilidade de abater esses mísseis".

Mais tarde, ele afirmou que o sistema pode ser equipado com ogivas nucleares.

Saiba tudo sobre o Oreshnik em nosso artigo.