Como um acordo com o Irã poderia reconfigurar a ordem petrolífera mundial?

Países do Golfo e produtores americanos já ajustam estratégias diante do novo cenário.

Mesmo que EUA e Irã cheguem a um acordo que reabra o Estreito de Ormuz, o mercado petrolífero resultante será muito diferente do existente antes do conflito, informou o Axios em publicação nesta terça-feira (26).

Além de os países do Golfo Pérsico precisarem de tempo para retomar a redução da produção de petróleo, a Agência Internacional de Energia advertiu em relatório divulgado em meados de maio que, mesmo após a retirada das minas, serão necessários ao menos dois ou três meses para restabelecer as exportações de forma estável.

Ben Cahill, analista de petróleo da Universidade do Texas em Austin, afirmou que a velocidade da normalização também dependerá em grande medida de os armadores e tripulações se sentirem seguros para transitar pela região.

Como ainda persistem dúvidas sobre a possibilidade de o Irã impor taxas, medidas de segurança ou tarifas adicionais de seguro, o especialista avaliou que "pode ser um processo intermitente, à medida que os transportadores mais avessos ao risco superem essas incertezas".

Por sua vez, Edward Fishman, ex-assessor do Departamento de Estado dos EUA, afirmou que autoridades iranianas já estariam considerando novas tarifas para navios petroleiros. Segundo ele, essa medida poderia render a Teerã dezenas de bilhões de dólares por ano, podendo chegar a US$ 100 bilhões.

Um bloqueio com impactos presentes e futuros

Antes da crise, o mercado petrolífero subestimava os riscos para a infraestrutura e o transporte marítimo. Agora, analistas acreditam que o "prêmio de risco geopolítico", ou seja, o sobrepreço preventivo incorporado ao risco, será mais elevado.

Clayton Seigle, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, afirmou que "haverá um prêmio de preço permanente associado a um ambiente operacional permanentemente mais arriscado".

Por esse motivo, vários países já começaram a se mobilizar para reduzir o impacto da dependência do estreito e do comércio marítimo que passa pela região.

Esse é o caso dos Emirados Árabes Unidos, que acelerarão a construção de um oleoduto que dobrará sua capacidade de exportação pelo porto de Fujairah.

Enquanto isso, nos EUA, os altos preços do petróleo podem incentivar os produtores a aumentar a produção. Antes da guerra, esperava-se que a produção do país caísse de 13,6 milhões para 13,3 milhões de barris diários entre 2026 e 2027.

No entanto, agora a previsão é de que ela aumente para 14,1 milhões de barris por dia no próximo ano.