
'Metrópoles digitais': Rússia alerta para nova forma de colonialismo

O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Alexander Alimov, afirmou, nesta quarta-feira (27), que o avanço da tecnologia digital é acompanhado por um processo de "militarização do setor privado" e por uma nova forma de "colonialismo digital".
Moscou chamou a atenção para o fato de que grandes desenvolvedoras, especialmente as ligadas à inteligência artificial, atuam diretamente com estruturas militares e de inteligência de países ocidentais.

"Elas auxiliam em inteligência, planejamento operacional e direcionamento de alvos", argumentou. As declarações foram feitas durante a mesa redonda "Cooperação Internacional na Área de Segurança da Informação", realizada no âmbito do 1º Fórum Internacional sobre Segurança de Moscou.
Colonialismo digital
O diplomata russo lembrou que essas mesmas empresas oferecem posteriormente "soluções seguras" ao restante do mundo, enquanto mantêm alinhamento estratégico com interesses geopolíticos ocidentais.
"Agindo estritamente em prol dos interesses de seus países de origem, tentam cinicamente colaborar com países inteiros sob pretextos plausíveis", disse.
Alimov comparou o atual cenário tecnológico global às estruturas coloniais mercantis dos séculos passados. "Estamos lidando com uma nova forma de colonialismo: metrópoles digitais, utilizando 'Companhias das Índias Orientais' modernas, atacam alguns enquanto fisgam outros com seus avanços", declarou.
Declínio veloz
Diante deste cenário, o diplomata reforçou que o contexto internacional de segurança cibernética vem se deteriorando rapidamente. Segundo ele, o uso de tecnologias de informação e comunicação em conflitos militares deixou de ocorrer apenas de forma clandestina e passou a ser assumido publicamente.
"Agora, o uso dessas capacidades ofensivas é divulgado abertamente e até mesmo consagrado em documentos doutrinários", alertou.
