Os Estados Unidos integrarão um software de inteligência artificial (IA) em seu Sistema de Ataque de Combate Não Tripulado de Baixo Custo (LUCAS, na sigla em inglês) — um drone kamikaze unidirecional projetado para operar em grandes quantidades — com o objetivo de que esses aparelhos possam agir em enxames e sobrecarregar as defesas inimigas, de acordo com um comunicado da Shield AI, empresa responsável pelo projeto.
O LUCAS é uma nova classe de drones de ataque de baixo custo e uso único. Desenvolvidos pela SpektreWorks e semelhantes ao Shahed-136 iraniano, esses veículos aéreos não tripulados constituem uma modificação do modelo FLM 136, um drone originalmente concebido para treinamento na luta contra drones, simulando o aparelho iraniano.
Embora as características técnicas do LUCAS não sejam oficialmente conhecidas, a mídia especializada fornece dados sobre o FLM 136, aos quais elas provavelmente são semelhantes. Segundo o Army Times, o drone possui um alcance de cerca de 800 quilômetros. Além disso, seu comprimento é de 3 metros e sua envergadura, de 2,5 metros, enquanto seu peso máximo na decolagem é de 81,5 quilos, dos quais até 18 quilos correspondem à carga útil.
O portal de análise militar The War Zone (TWZ) lembra que o novo drone foi utilizado em combate pela primeira vez durante a operação "Fúria Épica" dos EUA contra o Irã. De acordo com o chefe do Comando Central dos EUA (CENTCOM), Brad Cooper, o LUCAS revelou-se "indispensável" nesses ataques.
Estima-se que cada drone LUCAS possua um custo aproximado de US$ 35 mil, uma fração do preço dos mísseis disponíveis com alcance semelhante. Nesse sentido, o programa para seu desenvolvimento tem como objetivo proporcionar "massa acessível", ou seja, produzir grandes quantidades de drones de baixo custo que possam ser lançados em conjunto para saturar as defesas adversárias.
"Se você tem drones de ataque descartáveis e baratos, mas são necessários 10 ou 20 deles para destruir um alvo, eles não são mais tão baratos assim, não é mesmo?", argumentou Brandon Tseng, presidente e cofundador da Shield AI. "Mas se, de repente, você tiver drones de ataque descartáveis baratos, e cada um deles for capaz de aniquilá-lo, e agora você puder derrubar 20 alvos, isso representa um custo, na verdade, realmente baixo, e é isso que os Estados Unidos buscam no final das contas", afirmou.
"Um piloto de IA"
A Shield AI utilizará nos LUCAS seu software Hivemind, "um piloto de IA" projetado para controlar drones e aeronaves militares de forma autônoma. De acordo com o comunicado da empresa, isso permitirá que grupos de drones sejam coordenados, manobrados e se adaptem às condições variáveis do campo de batalha em tempo real, seguindo as instruções dos operadores.
Ressalta-se que o Hivemind simplificará a operação de sistemas não tripulados em rede, permitindo que um único operador comande múltiplas plataformas ao mesmo tempo para operações coordenadas complexas. Assim, os humanos manterão o controle das decisões de ataque, enquanto que os sistemas autônomos irão gerenciar a navegação, a coordenação e a execução.
O comunicado destaca que, ao contrário dos pilotos automáticos tradicionais que não podem se desviar de rotas preestabelecidas, o Hivemind reconfigura dinamicamente os planos de missão, responde a condições inesperadas, evita obstáculos e executa tarefas complexas de maneira segura e eficaz.
Brandon Tseng, citado pela TWZ, informou que a empresa pretende iniciar os testes de voo com o software Hivemind já em julho, enquanto que a demonstração operacional está prevista para este outono, na qual um único operador comandará um enxame de sistemas autônomos que operam em conjunto.