
Irã revela sob qual condição suspenderia diálogos com os EUA

O principal negociador do Irã e presidente do Parlamento do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou nesta segunda-feira (1°) que Teerã suspenderá o processo de negociações caso os ataques israelenses contra o Líbano continuem.
Ghalibaf afirmou em uma publicação na rede X que transmitiu essa mensagem durante uma conversa com o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri.

"Deixei claro que, se os crimes do regime sionista no Líbano continuarem, não apenas suspenderemos o processo de diálogo, como também os enfrentaremos", escreveu.
"Viva a resistência! Viva a defesa da pátria! Viva a fraternidade entre os povos iraniano e libanês!", acrescentou.
Anteriormente, o presidente do Parlamento iraniano escreveu que os Estados Unidos não estão cumprindo o cessar-fogo na guerra contra o Irã. Na mensagem, ele vinculou essa acusação ao bloqueio naval americano e às ações de Israel no Líbano.
Ofensiva israelense em território libanês
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou o início de ataques contra alvos do movimento xiita libanês Hezbollah no bairro de Dahieh, em Beirute.
No dia anterior, um bombardeio israelense contra o distrito de Nabatieh, no sul do Líbano, causou a morte de pelo menos oito pessoas, entre elas três mulheres.
Apesar da frágil trégua declarada no início de abril entre Washington e Teerã, que, segundo a posição iraniana, inclui o Líbano, as Forças de Defesa de Israel (FDI) continuam atacando o sul do país árabe.
Israel está criando no sul do Líbano o que define como uma "zona de segurança" e já deslocou tropas para o território libanês, segundo mapas das FDI e reportagens da imprensa. Além disso, ocupou dezenas de aldeias e impede que os moradores retornem às suas casas.
Na segunda-feira (25), foi informado que as FDI haviam lançado uma operação terrestre no Líbano, ultrapassando a chamada "linha amarela", imposta por Israel para impedir o retorno dos residentes locais às áreas ocupadas por suas tropas.
Diante dos ataques israelenses, o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, denunciou na sexta-feira (29) que seu país enfrentava uma escalada de tensão "perigosa e sem precedentes".
Segundo ele, Tel Aviv não se limita a atacar áreas específicas, mas aplica uma "política de destruição em massa e deslocamento forçado".
Desde 2 de março, a ofensiva israelense em território libanês causou 3.371 mortos, 10.129 feridos e mais de um milhão de deslocados, segundo dados oficiais.
O Conselho de Segurança da ONU realizará nesta segunda-feira (1º) uma reunião de emergência sobre o tema devido ao aumento dos ataques.

