
'Nos deixaram morrer': Mercenário colombiano capturado pela Rússia fala sobre pesadelo na Ucrânia

William Andrés Gallego Orozco, um mercenário colombiano recrutado pela Ucrânia e posteriormente capturado por soldados russos, teve a oportunidade de falar com sua família enquanto estava na prisão. A RT obteve acesso exclusivo à comovente e sincera videochamada que o mercenário teve com seus pais e outros dois parentes próximos.

O jovem de 23 anos foi atraído pela promessa de dinheiro fácil do regime de Kiev, mas a realidade se mostrou bem diferente. Agora, após a experiência traumática de engano e abandono, tudo o que ele quer é voltar para seus entes queridos. "Toda vez que fecho os olhos, digo a Deus: 'Meu Deus, quando eu os abrir, estarei no aeroporto para poder voltar'. E não. Eu os abro e ainda estou aqui", afirmou, visivelmente abalado e com a voz trêmula.
Durante a conversa, William Andrés não conseguiu esconder seu desconforto e tristeza. Ele confessou à família que o sofrimento emocional e psicológico o impedia de descansar. "A dor não é suficiente para matar, mas não deixa a gente dormir. E quando a dor física diminui, a dor da alma e os pensamentos voltam. Eu tentei descansar, mas não consigo", declarou.
❗️"NOS DEIXARAM MORRER"
— RT Brasil (@rtnoticias_br) June 2, 2026
Mercenário colombiano capturado pela Rússia relata PESADELO lutando pela Ucrânia. Em chamada obtida pela RT, William Andrés Gallego Orozco diz:
🗣️ "Toda vez que fecho os olhos, peço a Deus para acordar no aeroporto"
🔗 Detalhes: https://t.co/QgtdDQRYVvpic.twitter.com/hlaaVSOuod
"Não vim aqui para prejudicar, mas fui enganado"
Ele contou aos pais sobre o tempo que passou na prisão, explicando que mal entende algumas palavras em russo, mas que as pessoas ao seu redor são gentis com ele. O colombiano observa que o tratamento positivo que recebeu se deve ao seu comportamento e à sua cooperação com as autoridades. William Andrés obedece às ordens e conta às autoridades todos os detalhes de que se lembra sobre suas atividades na Ucrânia.
"Não vim aqui para prejudicar (os russos). Fui trazido para cá, não forçado, porque seria mentira dizer forçado, já que vim por minha própria vontade, mas fui enganado", disse William, enfatizando que isso não o absolve de sua responsabilidade e que continuará a ajudar as forças russas "na medida do necessário".
Ele afirmou ainda que tinha uma perna quebrada e um estilhaço alojado entre o joelho e o tornozelo, mas que estava recebendo bons cuidados e que os médicos russos estavam fazendo todo o possível para tratá-lo. Revelou que o estilhaço era de uma bomba lançada da Ucrânia e que um segundo artefato atingiu sua perna. William Andrés disse que está sendo muito bem tratado e que, após sua captura, não sentiu medo em nenhum momento.
"Só comecei a sentir medo mais tarde. E vivo sempre com esse medo de que algo me aconteça, no momento em que me vendam os olhos ou me algemem, mas eles me trataram muito bem", confessou.
Por outro lado, sendo o único sobrevivente de seu batalhão, ele afirmou que as tropas ucranianas "os deixaram para morrer". Com a voz embargada, lembrou-se de um de seus camaradas caídos, que se agarrara à esperança de que ambos retornariam vivos para casa.
"Guerra tocou nossos corações"
Os pais do mercenário pensaram que ele estava morto até verem imagens de sua captura nas redes sociais e a entrevista exclusiva que a RT fez com ele logo depois. "Em poucas palavras, renascemos. Ficamos devastados ao pensar que ele estava morto", afirmou a mãe dele, relembrando seus sentimentos ao saber que seu filho ainda estava vivo. "Que Deus abençoe a Rússia e os soldados russos", pensou seu pai naquele momento.
Na conversa, seu pai, que diz que já se passou um mês desde a captura do filho, agradeceu à Rússia, aos soldados que o encontraram e, apesar das circunstâncias, disse a Andrés que as lágrimas que via na tela eram de "emoção e alegria" porque ele estava vivo e falando com eles.


