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Presidente do México ao embaixador dos EUA: 'Respeite os assuntos internos de nosso país'

Claudia Sheinbaum reagiu a uma publicação de Ronald Johnson sobre o combate ao crime organizado.
Presidente do México ao embaixador dos EUA: 'Respeite os assuntos internos de nosso país'Anna Moneymaker / Gettyimages.ru

A presidente do México, Claudia Sheinbaum lembrou nesta terça-feira (2) que o embaixador dos EUA no México, Ronald Johnson, deve se limitar ao exercício de suas funções diplomáticas e não interferir na política interna do país.

"É importante que o embaixador permaneça no âmbito bilateral e respeite os assuntos internos do nosso país, porque as questões do México dizem respeito às mexicanas e aos mexicanos", advertiu durante uma coletiva de imprensa, ao ser questionada sobre uma publicação polêmica de Johnson.

Na segunda-feira (1°), o diplomata americano criticou a "politização" do combate ao crime organizado.

"Cada momento que dedicamos a transformar esse desafio compartilhado de segurança em uma discussão política é uma oportunidade perdida para fortalecer nossa cooperação e proteger as pessoas a quem servimos", afirmou em uma publicação no X.

A mensagem foi interpretada como uma crítica a Claudia Sheinbaum, já que, nos últimos meses, a presidente tem denunciado que algumas das estratégias dos EUA, como o pedido repentino de extradição de 10 funcionários e ex-servidores públicos mexicanos, respondem a interesses políticos.

Sheinbaum também advertiu reiteradamente que o México não será uma "piñata" dos EUA e que defenderá a soberania do país diante de qualquer tentativa de ingerência.

No entanto, ela tem evitado apontar diretamente para o presidente americano, Donald Trump, preferindo responsabilizar setores da ultradireita de ambos os países, que considera interessados em prejudicar a relação bilateral por motivos ideológicos.

Por sua vez, Johnson considerou que o combate aos cartéis deve unir os dois países, em vez de dividi-los.

"As pessoas dos dois lados da nossa fronteira desejam viver com segurança e em paz. Elas merecem viver livres da intimidação, da corrupção e do medo gerados pelos cartéis", acrescentou.

Claudia Sheinbaum respondeu que o único ponto em que concorda com o embaixador é que os dois países devem trabalhar conjuntamente para resolver problemas compartilhados, como a violência provocada pelo crime organizado.

"É muito importante, e digo isso respeitosamente, lembrar que os embaixadores devem se limitar aos temas de coordenação e colaboração", afirmou.

A presidente recordou ainda que os embaixadores mexicanos jamais opinam sobre políticas internas de outros países, porque a Constituição os obriga a respeitar a autodeterminação dos povos e o princípio da não intervenção.

Repúdio

A publicação do embaixador gerou reações negativas.

"Vocês controlam os cartéis. Vocês libertam narcotraficantes. Usam o pretexto dos cartéis para intervir em países. Vocês são os criminosos", respondeu uma usuária nas redes sociais, ao lembrar que Trump concedeu perdão ao ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández, que havia sido condenado por narcotráfico.

"Parem o tráfico de armas a partir do seu país. Reduzam o consumo em seu país. Prendam os traficantes em seu país. Combatam a lavagem de dinheiro em seu país. Isso ajudaria muito", acrescentou outro usuário.

Já um terceiro lembrou os vínculos históricos dos EUA com os cartéis, "por meio da CIA".

Entre as milhares de respostas à publicação do embaixador, uma usuária questionou:

"O que vocês fazem para reduzir o consumo de drogas, considerando que têm mais de 30 milhões de consumidores? Quantos chefes do narcotráfico vocês prenderam? Quanta droga apreendem? Quantos agentes da DEA estão envolvidos com os cartéis? Quantos foram detidos por tráfico de armas para criminosos?", questionou uma usuária.

Johnson tem protagonizado polêmicas frequentes desde que assumiu o cargo, em abril de 2025, já que suas mensagens costumam adotar um tom que vem sendo denunciado como intervencionista, inclusive pela própria Claudia Sheinbaum.

A presidente criticou, por exemplo, o fato de o diplomata ter divulgado unilateralmente o pedido de extradição de 10 políticos mexicanos e de ter ameaçado diretamente perseguir políticos "corruptos", extrapolando suas atribuições.