Tudo sobre a troca de ataques entre os EUA e o Irã após impasse nas negociações

A Guarda Revolucionária iraniana anunciou que atingiu vários alvos norte-americanos na região.

Na noite de terça-feira (2) para quarta-feira (3), múltiplas explosões atingiram vários países do Oriente Médio, enquanto Washington afirma que a guerra com o Irã terminou.

Os ataques ocorreram depois que o Comando Central dos EUA (CENTCOM) anunciou ter lançado um míssil contra um petroleiro que tentou se aproximar de um porto iraniano no golfo Pérsico.

Fontes locais e moradores da ilha iraniana de Qeshm informaram que várias explosões foram registradas na região insular, informou a agência Mehr.

Por sua vez, outras fontes locais relataram múltiplas explosões na cidade de Erbil, no Curdistão iraquiano, segundo a agência iraniana Fars. De acordo com as informações, bases de grupos separatistas anti-iranianos foram alvo de ataques aéreos.

Enquanto isso, alarmes de ataque aéreo foram acionados no Bahrein, segundo as autoridades do país, enquanto vídeos de autenticidade não verificada que circulam nas redes sociais mostram sistemas de defesa antiaérea em ação.

Por sua vez, o Quartel-General do Estado-Maior das Forças Armadas do Kuwait informou que suas defesas aéreas responderam a "ataques hostis com mísseis e drones".

O órgão kuwaitiano explicou que o som das explosões é "resultado das interceptações realizadas pelos sistemas de defesa aérea", ao mesmo tempo em que pediu à população que siga as orientações de segurança emitidas pelas autoridades competentes.

Por sua vez, a Guarda Revolucionária iraniana assumiu a autoria do lançamento de "ataques precisos e concentrados com mísseis" contra bases dos EUA no Kuwait.

Em um comunicado divulgado pela mídia iraniana, a organização militar insistiu que os ataques foram lançados "em resposta à insolência e à agressão flagrante" cometidas pelas forças americanas ao atacar a ilha de Qeshm.

A agência iraniana Tasnim informou ainda que a Força Aeroespacial dos Guardiões da Revolução bombardeou com mísseis e drones a sede da Quinta Frota dos EUA.

"O inimigo americano, em uma nova agressão, atacou com projéteis uma torre de telecomunicações do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica no sul da ilha de Qeshm. Em resposta a essa agressão, a base aérea e de helicópteros que eles possuem em um dos países da região, assim como o centro da Quinta Frota Naval dos EUA, foram atacados com mísseis e drones pela Força Aeroespacial", diz um comunicado divulgado pela agência.

Segundo fontes árabes, duas bases americanas no Kuwait — Arifjan e Ali Al Salem — foram atacadas, informa a agência estatal iraniana IRIB News.

A agência Fars também informou que sirenes antiaéreas foram acionadas em território da Arábia Saudita.

Além disso, a agência iraniana ISNA, citando meios de comunicação árabes, informou que voos e outras operações aeroportuárias foram suspensos no Bahrein, no Kuwait e nos Emirados Árabes Unidos devido aos ataques aéreos.

Até o momento, as autoridades dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita não se pronunciaram sobre o assunto.

CENTCOM confirma ataques

Enquanto isso, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) informou que as forças americanas "derrubaram com sucesso vários mísseis balísticos e drones iranianos", acrescentando que também realizaram ataques "em legítima defesa" contra a ilha iraniana de Qeshm.

O comando detalhou que a operação foi realizada "em resposta às tentativas de ataque do Irã em todo o Oriente Médio, em 2 de junho".

"O Irã lançou vários mísseis balísticos contra países vizinhos da região; no entanto, nenhum deles atingiu seus objetivos", afirma o comunicado do CENTCOM.

Além disso, o texto detalha que dois mísseis lançados contra o Kuwait não chegaram ao destino ou se desintegraram no ar, enquanto três mísseis disparados contra o Bahrein foram imediatamente interceptados pelas forças de defesa aérea dos EUA e do Bahrein.

O Comando Central dos EUA indicou ainda que, anteriormente, havia derrubado três drones suicidas "lançados pelo Irã contra marinheiros civis que transitavam legitimamente por águas regionais".

"As forças americanas também realizaram ataques em autodefesa contra uma estação militar iraniana de controle terrestre na ilha de Qeshm", diz o comunicado.

Segundo a publicação, nenhum integrante das forças americanas ficou ferido.

"As forças do CENTCOM permanecem em alerta e preparadas para se defender de qualquer agressão injustificada por parte do Irã durante o cessar-fogo atualmente em vigor", ressaltou o comando.

Negociações em risco

Apesar da frágil trégua declarada no início de abril entre Washington e Teerã, a situação na região tem sido marcada recentemente por ataques e ameaças mútuas.

Na segunda-feira (1º), a agência iraniana Tasnim informou que a equipe negociadora do país persa suspendeu as conversas e a troca de mensagens com os EUA em protesto contra os ataques de Israel ao Líbano, uma vez que uma das condições prévias das negociações para o cessar-fogo era o fim das hostilidades contra Beirute.

Em resposta a essas informações, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que não havia recebido notícias do Irã sobre uma possível suspensão das conversas. No entanto, acrescentou que, se isso fosse verdade, não se importaria.

"Sinceramente, não me importa se elas acabaram. Realmente não me importa, não me importa nem um pouco", declarou o presidente.

Entretanto, no mesmo dia, Trump afirmou que teve "uma conversa muito produtiva" com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que lhe prometeu não enviar tropas para a capital libanesa. Além disso, acrescentou que Israel e o movimento xiita libanês Hezbollah concordaram em encerrar os ataques mútuos.

Depois disso, Trump anunciou que "as conversas com a República Islâmica do Irã continuam avançando em bom ritmo".