O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta sexta-feira (5) que o confisco de ativos russos no exterior afetou seriamente a taxa de câmbio entre o dólar e o euro. Segundo Putin, como consequência, o Ocidente deixou de se interessar por regras comerciais comuns, já que começou a perder.
"As sanções e o bloqueio — que, em essência, constituem um roubo das reservas internacionais da Rússia — afetaram irreversivelmente as taxas de câmbio das moedas mundiais: o dólar e o euro. Este é um fato óbvio, que deve ser reconhecido. Agora, todos os países — e quero enfatizar, todos, sem exceção — podem, como a Rússia, perder o acesso aos seus ativos a qualquer momento", declarou o presidente durante discurso no Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo.
O presidente russo também pontuou que a arquitetura do comércio global "está se afastando gradualmente dos princípios originais da Organização Mundial do Comércio (OMC)".
"Desde o início do século XXI, o número de acordos comerciais bilaterais, regionais e megaregionais quase quadruplicou", disse.
Regras 'desinteressantes e onerosas'
Na fala, Putin enfatizou que os países ocidentais, que estiveram na origem do sistema financeiro moderno, foram responsáveis pelo declínio.
"Quando lhes convinha, eles promoviam a Organização Muncial do Comércio e suas ideias, convidando outros países a aderirem. Mas, quando o Ocidente começou a perder terreno na competição, as regras gerais e universais do comércio implementadas no âmbito da OMC tornaram-se desinteressantes e onerosas. Recorreram-se a restrições unilaterais e às chamadas sanções", afirmou.
Segundo o presidente russo, as medidas fizeram com que países ocidentais efetivamente paralisassem o mecanismo da OMC, "minando a confiança nessas instituições".
"E, se não há confiança, se a instituição deixa de funcionar adequadamente, então empresas e governos encontrarão outra solução. E essa solução reside na forma de acordos comerciais bilaterais e multilaterais", destacou.
- Desde fevereiro de 2022, países ocidentais mantêm congelados mais de US$ 300 bilhões em ativos estatais russos e se recusam a devolvê-los, pois pretendem usá-los em benefício da Ucrânia.
- O governo russo tem reiterado que qualquer tentativa de confiscar seus recursos será tratada como "roubo". Moscou tomou medidas judiciais contra o confisco.
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