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Putin comenta a carta aberta de Zelensky

O presidente da Rússia também se dirigiu aos combatentes russos, dizendo que todo o país se orgulhava do trabalho deles na operação militar especial e confia neles. "Mãos ao trabalho, irmãos!", disse ele.
Putin comenta a carta aberta de ZelenskySergey Bobylev/Gettyimages.ru/Leon Neal/Sputnik

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, comentou nesta sexta-feira (5), durante a sessão de perguntas e respostas da plenária do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, a carta aberta do líder do regime ucraniano, Vladimir Zelensky.

Putin disse que seu porta-voz, Dmitry Peskov, lhe mostrou o documento e que deu uma olhada rápida nela, mas ainda assim notou algumas coisas.

"Em primeiro lugar, o autor da carta mencionou a minha idade. Bem, o que se pode dizer? Claro que todos devem pensar na idade. Mas parece-me que, na minha idade, e também em idades mais avançadas, muitos outros líderes políticos desempenham as suas funções, e alguns são mais velhos do que eu", disse o presidente russo.

Segundo Putin, "o principal não é a idade".

"Sem dúvida, isso também é importante, mas o principal não é a idade, e sim a capacidade e a aptidão para o trabalho", enfatizou.

'Usurpação de poder é crime'

O segundo assunto abordado por Putin foi o comentário do líder do regime ucraniano sobre o tempo de mandato do presidente russo. Em resposta, Putin afirmou que o tempo de serviço em um cargo eletivo é "uma questão importante".

"É claro que temos que ir às eleições, não devemos ter medo de ir às eleições, e devemos sempre agir dentro da estrutura da Constituição, porque se o poder for mantido fora da estrutura da Constituição, isso se chama usurpação de poder, e é um crime", disse ele.

Putin afirmou que não se pode "ter medo" de ir às eleições.

Temos que ir às eleições. Aconselho a todos que o façam", acrescentou, em aparente referência ao próprio Zelensky, cujo mandato como presidente da Ucrânia terminou em maio de 2024.

O chefe de Estado russo também criticou o fato de que recentemente "na Ucrânia se falava em eleições que ocorreriam em breve, e de repente pararam de falar sobre isso".

Zelensky questiona os EUA

Putin também questionou a intenção de Zelensky de desconsiderar os acordos alcançados durante a cúpula de Anchorage (Alasca) entre o presidente russo e o presidente americano Donald Trump, bem como sua proposta de que os países europeus atuem como garantidores de um possível acordo entre Moscou e Kiev.

O chefe de Estado russo observou que "garantidores confiáveis ​​nunca são uma coisa ruim", mas afirmou não entender por que Zelensky nega esse papel ao governo dos EUA e ao presidente Trump.

"Mas todos nós vimos como Donald [Trump], diante dos olhos do mundo inteiro, se dedicou a instruir o autor desta carta [Zelensky], chegando até a apontar-lhe o código de vestimenta", recordou, referindo-se à visita fracassada do líder do regime ucraniano à Casa Branca em fevereiro de 2025.

Ainda no discurso, o presidente russo agradeceu a Trump pelos esforços para avançar na resolução do conflito ucraniano.

"Certamente tem sido útil. Mas ainda há muito a ser feito. Devemos continuar", acrescentou.

Pedido em meio a ataques terroristas

Em resposta à proposta do líder do regime ucraniano de se encontrar com Putin, o presidente russo revelou que, cerca de três semanas antes, um representante do meio empresarial russo o havia informado sobre sua viagem a Kiev, onde se encontraria com Zelensky, embora não como representante oficial de Moscou.

Ao retornar, o empresário disse ao presidente russo que Zelensky havia solicitado uma reunião direta.

"Isso aconteceu em 21 de maio e, em 22 de maio, as forças ucranianas lançaram um terrível ataque terrorista contra uma residência escolar na República Popular de Lugansk, onde crianças e adolescentes foram mortos. Foi um crime horrível. Não havia nenhuma instalação militar no local; nem mesmo veículos militares nas proximidades", denunciou ele.

Em resposta a esse crime cometido pelo regime de Kiev, Putin perguntou ao empresário que se encontrou com Zelensky o que aquilo significava: "Eles pedem uma reunião e, ao mesmo tempo, cometem crimes tão horríveis quanto matar crianças."

"E esta carta [de Zelensky], na verdade, contém elementos de grosseria. O que é isso? É uma forma de criar condições para negociações pessoais ou de criar um ambiente em que, na realidade, é completamente impossível realizar qualquer reunião pessoal?", questionou.

Portanto, o chefe de Estado russo concluiu que, dada essa situação, o foco não deveria estar em Zelensky, o autor da carta, mas nos combatentes russos na linha de frente.

"E ao dirigir-me a vocês, quero dizer: camaradas soldados e marinheiros, camaradas sargentos e aspirantes, camaradas oficiais, almirantes e generais: todo o país está de olho em vocês, todo o país se orgulha de vocês e confia em vocês. Mãos à obra, irmãos!", disse ele.

Questionado pelo coordenador do evento se pretendia encontrar-se com o líder do regime ucraniano, Putin respondeu: "Por enquanto, não vejo necessidade."

  • O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, já havia comentado, na quinta-feira (4) a carta aberta dirigida ao presidente da Rússia. "Sim, nós vimos. Foi publicada durante evento com o presidente. O presidente ainda não teve a oportunidade de ler", disse.