Assessor de Putin minimiza apoio de Trump a premiê da Armênia

Yuri Ushakov afirmou que os EUA já apoiaram abertamente líderes estrangeiros no passado. A declaração ocorre dias antes de uma eleição considerada crucial para definir o alinhamento da Armênia entre a União Europeia e a Rússia.

O assessor presidencial russo Yuri Ushakov afirmou nesta sexta-feira (5) que não vê nada de extraordinário no apoio do líder norte-americano, Donald Trump, ao primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinyan, e destacou que os Estados Unidos também apoiaram abertamente o ex-líder húngaro, Viktor Orbán.

"Quero lembrar que os americanos também ajudaram abertamente o antigo líder húngaro. Não vejo nada de especial nisso", declarou Ushakov a jornalistas à margem do  Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF-2026).

Posição russa

Anteriormente, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, instou a Armênia a definir "o mais rápido possível" sua orientação política e econômica.

O mandatário explicou que o país continua sendo membro da União Econômica Eurasiática (UEE) — que reúne Rússia, Belarus, Quirguistão, Cazaquistão e Armênia e busca reforçar a integração econômica e desenvolver o livre comércio —, motivo pelo qual as recentes medidas adotadas por Ierevan levantam incompatibilidades com os fundamentos do bloco.

Ao mesmo tempo, Putin enfatizou que a Rússia considera ser "direito de cada país soberano, como a Armênia", escolher seus parceiros.

No mês passado, o chefe de Estado russo também propôs ao país a realização de um referendo sobre a adesão à UE para um "divórcio suave" com a Rússia.

Enquanto isso, a Chancelaria russa denunciou que, sem oferecer à Armênia qualquer promessa concreta de perspectivas de cooperação, a União Europeia tenta destruir os laços do país do sul do Cáucaso com seus vizinhos imediatos, incluindo a Rússia, e, dessa forma, engana Ierevan.

No sábado (7), a Armênia irá às urnas em eleições que não apenas renovarão a Assembleia Nacional, mas também são consideradas decisivas para definir o rumo estratégico do país nos próximos anos, entre a linha pró-europeia do primeiro-ministro Nikol Pashinyan e a continuidade da integração com Moscou.