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Presidente do México endurece tom e acusa EUA de tentar enfraquecer seu governo

Claudia Sheinbaum mudou seu discurso após tentativas contínuas de Washington de interferir nos assuntos internos de seu país.
Presidente do México endurece tom e acusa EUA de tentar enfraquecer seu governoAlejandro Aguilar Lopez/Anadolu via Getty Images

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, que havia optado por evitar confrontos diretos com o governo de Donald Trump, mudou seu discurso nas últimas semanas ao denunciar abertamente tentativas contínuas de Washington de interferir nos assuntos internos de seu país. A informação foi publicada nesta sexta-feira (5) pela Bloomberg.

Baseada em declarações de três pessoas familiarizadas com o tema, trata-se de uma decisão tomada por Sheinbaum em conjunto com sua equipe. A avaliação é de que autoridades norte-americanas, em conluio com setores da oposição de direita no México, promovem uma narrativa considerada perigosa segundo a qual seu governo seria "submisso" aos cartéis do narcotráfico.

A mandatária também busca deixar claro para grupos conservadores dentro dos EUA que esforços para fortalecer setores ideologicamente alinhados no México e enfraquecer sua gestão são ineficazes e não têm chances de prosperar.

Pressões e negociações

Por sua vez, Trump — que Sheinbaum tem procurado desvincular da campanha de deslegitimação de seu governo — utilizou tarifas como instrumento de pressão para forçá-la a adotar medidas mais duras contra o tráfico de drogas e a migração em direção ao norte do continente.

A presidente defendeu a necessidade de cooperação para enfrentar esses desafios, mas ressaltou que a soberania mexicana não é nem será objeto de negociação. Com isso, rejeitou categoricamente a possibilidade de que o Exército dos EUA realize incursões em território mexicano, como deseja Trump.

Diante dessa posição, o Departamento de Justiça dos EUA acusou o governador de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, e outros nove funcionários e ex-funcionários de supostamente trabalharem para um cartel.

Rocha negou as acusações, enquanto a mandatária afirmou que não foram apresentadas provas que sustentem as graves alegações e denunciou motivações políticas por trás do caso.

Internamente, essas iniciativas dos EUA vêm sendo interpretadas como parte de um esforço mais amplo para enfraquecer o governista Movimento de Regeneração Nacional (Morena). Já o partido aproveitou o contexto para impulsionar uma reforma constitucional que permite anular eleições caso sejam detectadas interferências estrangeiras.

Inclusive, o ex-presidente Andrés Manuel López Obrador deixou seu retiro político para apoiar essa tese e exigir o fim das ingerências externas.

Nesse cenário complexo, ocorrem as negociações para a renovação do Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá (T-MEC). Em 1º de julho, vence o prazo para anunciar a manutenção do acordo comercial por mais 16 anos ou o início de um período de revisões anuais.

A Bloomberg afirma que a mudança de tom de Sheinbaum surpreendeu os negociadores comerciais mexicanos e que sua postura mais combativa pode comprometer o sucesso dos acordos.