Semanas após a divulgação de que o Tribunal Penal Internacional (TPI) solicitou mandados de prisão sigilosos contra altos funcionários israelenses, o ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, respondeu a um artigo de Amos Schocken, editor do Haaretz, intitulado "Quem vai deter Bezalel Smotrich se não Haia?", com uma publicação no X na qual escreveu: "Nem Haia vai me deter".
Na postagem, Smotrich afirmou que não é "um judeu da diáspora" e que se preocupa menos com o que "os gentios [não judeus] dirão" do que com "o que os judeus farão". Ele também se descreveu como "um judeu orgulhoso da Terra de Israel" e um homem de fé, acrescentando que confia que Deus cumprirá sua promessa "aos pais e aos filhos". O ministro ainda declarou que chegará o dia em que "até os gentios [não judeus] em Haia" reconhecerão Israel.
No artigo, Schocken afirma que, nos últimos três anos e meio, Smotrich promoveu uma "revolução" que considera contrária ao direito internacional e à Carta da ONU. Segundo o texto, esse processo inclui ataques contra palestinos atribuídos a colonos, alguns deles armados, e a forças de segurança que atuariam em cooperação com eles, resultando em danos a casas e propriedades, expulsões e mortes. O editor também sustenta que Smotrich conduz essa política ao lado do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, com apoio do governo e do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Em maio, o Haaretz informou que o gabinete do procurador-chefe do Tribunal Penal Internacional, em Haia, solicitou a emissão de mandados de prisão sigilosos contra Smotrich, Ben Gvir e outros altos funcionários israelenses.
- Em novembro de 2024, o TPI já havia emitido mandados de prisão contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o então ministro da Defesa, Yoav Gallant, por supostos crimes contra a humanidade e crimes de guerra.