O Partido Ação Nacional (PAN), principal legenda de oposição no México, apresentou neste domingo (7) uma denúncia ao Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o ex-presidente Andrés Manuel López Obrador e diversas organizações.
A sigla solicita a investigação de "possíveis responsabilidades penais individuais" relacionadas a supostos acordos entre autoridades e o crime organizado durante o mandato de López Obrador, entre 2018 e 2024. As acusações são negadas pelo ex-presidente e pelo partido governista Morena.
Segundo comunicado divulgado pelo PAN, os fatos denunciados podem configurar crimes contra a humanidade. A legenda cita "mais de 200 mil homicídios, mais de 150 mil desaparecimentos, o recrutamento forçado de jovens e o deslocamento de comunidades inteiras e amplas regiões do país sob controle dos cartéis do narcotráfico".
Acusações sobre segurança pública
O PAN afirma que a atual crise de insegurança no México não resulta de episódios isolados, mas de uma suposta "colaboração permissiva" e "sistematizada" do Estado mexicano com organizações criminosas.
De acordo com a denúncia, a política de segurança conhecida como "abraços, não balas" permitiu que grupos criminosos "expandissem seu poder territorial, econômico e político, enquanto o Estado renunciava a exercer plenamente sua autoridade".
A direção do partido também mencionou acusações sobre "supostos vínculos entre atores do Morena e organizações criminosas" nos estados de Sinaloa, Sonora e Tamaulipas.
"Por isso, recorremos ao Tribunal Penal Internacional, diante de instituições nacionais cada vez menos capazes de garantir investigações independentes", afirma o texto divulgado pela legenda.
Investigação internacional
O PAN informou que continuará promovendo medidas legais e políticas relacionadas à violência no país.
O partido reiterou a cobrança por verdade, justiça e prestação de contas às vítimas e destacou que caberá a um organismo internacional, e não às autoridades mexicanas, decidir sobre a eventual responsabilidade do ex-presidente.
Andrés Manuel López Obrador, que governou o México entre 2018 e 2024, voltou à vida pública nesta semana por meio de uma carta na qual acusa Washington de conduzir uma "investida" contra o governo mexicano e manifesta seu "apoio incondicional" à presidente Claudia Sheinbaum.