Mineradora canadense quer usar Brasil para reduzir dependência da China em minerais de terras raras

A Aclara Resources estima que a futura operação no Brasil produzirá entre 13% e 15% do volume de terras raras para ímãs extraído pelo gigante asiático em 2024, volume que seria o suficiente para atender cerca de metade da demanda dos EUA por veículos elétricos.

A companhia mineradora canadense Aclara Resources pretende dar início, em 2028, a uma cadeia de produção de terras raras no Brasil visando diminuir a dependência da China. A informação foi publicada pelo site Nikkei Asia em 5 de junho. 

O plano prevê o processamento de minério extraído no Brasil e também no Chile com tecnologia própria, da separação ao refino, voltada à fabricação de materiais usados em baterias de veículos elétricos.

A iniciativa é desenvolvida em parceria com a universidade Virginia Tech, dos EUA, e visa ampliar a oferta desses minerais fora do domínio chinês

Segundo o vice-presidente executivo da empresa, José Augusto Palma, testes já estão sendo feitos em uma unidade experimental. De acordo com ele, uma fábrica poderá entrar em produção até 2028. 

A mineradora estima que a futura operação produzirá o equivalente a 13% ou 15% do volume de terras raras para ímãs extraído pela China em 2024. 

Palma estimou que esse volume seria o suficiente para atender cerca de metade da demanda dos EUA por veículos elétricos.

A Aclara negocia com montadoras como General Motors, Hyundai e Toyota, além de manter conversas com companhias japonesas do setor. 

Além da mina em Goiás, a companhia espera obter licenças ambientais no Chile ainda neste mês. Estima-se que o Brasil concentre cerca de 20% das reservas globais de terras raras. O país vem atraindo o interesse de países que buscam reduzir a dependência da China nesse setor.