A brasileira Marina Lacerda, uma das mulheres que acusam Jeffrey Epstein de abuso sexual, passou a dormir com uma arma ao lado da cama depois de receber ameaças e ter o nome exposto em documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. As informações foram divulgadas pela agência Reuters na segunda-feira (8).
Ela afirma que tinha 14 anos quando foi abusada por Epstein. Já as ameaças começaram em setembro de 2025, após Lacerda participar de uma entrevista coletiva com outras acusadoras para cobrar a liberação de documentos relacionados ao financista.
No mesmo dia da coletiva, um comentário publicado no YouTube dizia: "Ela será morta". A mensagem acrescentava: "Ela realmente deveria ter ficado calada. Descanse em paz."
Meses depois, o nome de Lacerda apareceu ao menos 46 vezes em documentos sem tarjas divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA, de acordo com a agência. Nas redes sociais, ela passou a ser chamada de mentirosa e prostituta e recebeu mensagens de pessoas dizendo que merecia o que sofreu.
A exposição também atingiu a filha de Lacerda, de 12 anos. Segundo a brasileira, colegas da menina passaram a provocá-la na escola, perguntando se ela era filha de Epstein. Hoje, mãe e filha vivem em um condomínio fechado, enquanto Lacerda tenta reduzir a exposição de seu endereço.
Pânico dentro de casa
"Tenho medo de que alguém entre em casa", afirmou Lacerda. "Estou paranoica o tempo todo". Para dificultar que desconhecidos a localizem, ela também alterou seu nome em registros de propriedade.
A brasileira foi identificada como "Vítima Menor de Idade 1" na acusação federal de tráfico sexual apresentada contra Epstein em 2019. Segundo o relato dela, o abuso ocorreu depois que conheceu o financista em 2002, quando ainda era menor de idade.
A Reuters identificou 23 mulheres que acusam Epstein e relataram ameaças, assédio e intimidação após se manifestarem publicamente ou terem os nomes expostos nos arquivos do Departamento de Justiça.
Algumas delas disseram que desconhecidos fotografaram suas casas, carros permaneceram parados diante de suas residências e pessoas ligaram afirmando saber onde elas moravam.
Apesar das ameaças, Lacerda disse não se arrepender de ter falado. "Eu amo de verdade ter quebrado meu silêncio", afirmou. "Mas o depois é só paranoia".
O Departamento de Justiça reconheceu falhas na proteção de dados de vítimas e afirmou que "nenhuma vítima deve enfrentar assédio, ameaças ou intimidação depois de se apresentar".
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