O governo da Bulgária defende uma solução diplomática para o conflito em torno da Ucrânia e pretende interromper o fornecimento de armas ao regime de Kiev. A justificativa é que o acúmulo de material bélico apenas aumentará as perdas de vidas humanas, declarou nesta terça-feira (9) o ministro da Defesa do país, Dimitar Stoyanov.
A declaração, reproduzida pela mídia local, marca uma mudança na postura de Sófia em relação ao à operação militar especial.
"Estamos vendo um conflito de posições e, independentemente da quantidade de armamento acumulado, o único resultado é a perda de vidas humanas", afirmou.
De acordo com o ministro, o governo búlgaro considera que as forças de Kiev já dispõem do material bélico necessário.
"A Ucrânia precisa de mais pessoas, não de mais armas. Tem armas suficientes, portanto não prevemos fornecer mais armamentos ao Exército ucraniano", ressaltou.
"UE não é apta para atuar como mediadora"
Ao comentar os próximos passos, Stoyanov defendeu que chegou o momento de as partes se sentarem à mesa de negociações em busca de uma "paz justa", que deve ser definida pelos próprios envolvidos.
O ministro também abordou o possível papel da União Europeia (UE) na resolução do conflito. Embora tenha classificado essa função como "extremamente importante", descartou que o bloco possa atuar como mediador oficial, já que tomou partido ao prestar assistência militar a Kiev.
"Seria difícil atribuir à UE o papel de mediadora, pela simples razão de que ela também ajudou a Ucrânia em seus esforços nesta guerra", argumentou.
A decisão reflete a linha política do novo governo búlgaro, liderado pelo primeiro-ministro Rumen Radev, ex-presidente do país, que tem um histórico de oposição à assistência técnico-militar à Ucrânia e de defesa de uma solução negociada para o conflito.
Em 3 de junho, a Bloomberg informou que autoridades de três aliados-chave da Ucrânia na Europa — Alemanha, França e Reino Unido — avaliam retomar as conversações de paz entre Kiev e Moscou.
No dia 29 de maio, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, descartou a possibilidade de a União Europeia atuar como mediadora, argumentando que o bloco é parte do conflito ao lado da Ucrânia devido ao fornecimento de armas a Kiev.