O Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos (Southcom) afirmou, em nota enviada ao portal Metrópoles nesta terça-feira (9), que vai "desmantelar grupos narcoterroristas" que "buscam exportar drogas e morte" para as fronteiras do país. A manifestação ocorreu após o veículo questionar a instituição sobre a recente designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.
"O Hemisfério Ocidental é nossa vizinhança, e os narcoterroristas que buscam exportar drogas e morte para nossas fronteiras serão desmantelados", lê-se em um trecho da nota, citado pelo portal.
A organização militar sustentou ainda que a classificação "concede mais ferramentas ao Departamento de Guerra para garantir que o Hemisfério Ocidental não seja controlado por narcoterroristas".
Especialistas ouvidos pela imprensa brasileira avaliam que a ofensiva de Washington contra o PCC e o Comando Vermelho pode prejudicar o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil e resultar em restrições ao sistema Pix, sob o argumento de que a plataforma estaria sendo utilizada por facções criminosas.
Risco à soberania nacional
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, criticou ainda em março a possibilidade de designação. Em depoimento na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, ele advertiu que a medida traz consequências diretas para a soberania brasileira, já que, em determinadas legislações, como a dos Estados Unidos, pode ser usada para justificar ações como uma intervenção militar direta.
"Pode inclusive justificar a intervenção militar em outro país. (...) Isso permitiria que o exército, as Forças Armadas ou qualquer tipo de força americana viesse ao território brasileiro e o invadisse para exterminar grupos terroristas, o que fosse", advertiu Vieira na ocasião.
Para o chanceler, o Brasil não pode aceitar esse tipo de enquadramento, tanto por razões legais quanto políticas. "Há um impedimento legal" e, além disso, "não podemos deixar que a soberania nacional esteja sob risco ou nas mãos de países estrangeiros", sustentou.