
Chancelaria iraniana esclarece a situação do memorando com EUA

O Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou que partes importantes de um possível acordo destinado a pôr fim ao conflito com os EUA estão prestes a ser concluídas, apesar das posições contraditórias e dos repetidos atos de agressão militar por parte de Washington.
"Quanto ao texto, suas partes principais estão praticamente finalizadas. O problema é que as posições contraditórias dos Estados Unidos sempre causaram turbulências e perturbações neste processo", afirmou na quinta-feira (11) o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, segundo a Press TV.

O porta-voz enfatizou que a República Islâmica entrou no processo diplomático com boa vontade e total responsabilidade, enquanto as autoridades americanas mudaram de postura repetidamente, apresentaram novas exigências pouco realistas e chegaram até mesmo a realizar ataques militares durante as negociações.
Além disso, ele indicou que, desde o cessar-fogo declarado em abril, tanto os EUA quanto Israel violaram repetidamente a trégua. "Enquanto falam de diplomacia e negociações, ao mesmo tempo recorrem à força, a ações ilegais e a comportamentos criminosos", disse ele.
O porta-voz explicou quando o acordo será anunciado oficialmente. "As autoridades competentes devem revisar cada detalhe do texto. Assim que chegarmos a uma conclusão final que atenda aos interesses da nação iraniana, ela será anunciada oficialmente", indicou.
O estreito de Ormuz, a verdadeira 'arma' do Irã
Ao mesmo tempo, Baghaei destacou que, neste conflito, o Irã demonstrou que jamais se submeterá às condições e exigências da outra parte, tanto na diplomacia quanto no campo de batalha. "O Irã demonstrou na prática que suas linhas vermelhas são os interesses e o bem-estar da nação iraniana, e não haverá absolutamente nenhuma concessão a esse respeito", assinalou, acrescentando que, "se a República Islâmica tivesse a intenção de ceder em suas posições de princípio diante da pressão e das ameaças, já o teria feito há um ano e meio".
O porta-voz também comentou sobre o fechamento do Estreito de Ormuz, acusando Washington de transformar essa rota marítima em "um local inseguro" por meio de seus ataques agressivos. Ele explicou que a única razão para o fechamento do estreito são "as ações ilegais e agressivas dos EUA", em referência aos ataques norte-americanos contra instalações iranianas no sul do país e aos ataques mortais contra navios mercantes, incluindo três navios indianos.
Trump: "Os pontos finais foram aprovados"
Na quinta-fera (11), o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que haviam ocorrido avanços significativos nas negociações entre Washington e Teerã. Com base nisso, ele anunciou o cancelamento da terceira rodada de bombardeios prometidos contra o território iraniano.
Segundo suas palavras, “as conversas e os pontos finais foram aprovados, tanto em conceito quanto em detalhes, por todas as partes envolvidas”. Além de seu próprio país, a lista de participantes do acordo incluiria, entre outros, Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Turquia, Paquistão, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Egito.
Horas depois, ele disse aos jornalistas que o acompanhavam no Salão Oval que a delegação americana conseguiu que sua contraparte iraniana se comprometesse a que aquele país "nunca terá armas nucleares". Ele afirmou ainda que "em breve haverá uma assinatura e os documentos estão praticamente prontos".
Nova escalada
- Os EUA retomaram na noite de terça-feira (9) seus ataques contra o Irã em resposta à derrubada de um helicóptero AH-64 Apache. A operação foi executada por ordem direta do comandante-chefe e constituiu, segundo Washington, "uma resposta proporcional à agressão injustificada iraniana".
- De acordo com a Guarda Revolucionária do Irã, as forças americanas bombardearam "sob pretextos infundados" vários pontos iranianos em Jask, Sirik e Qeshm, causando danos a uma torre de comunicações em Sirik e destruindo dois reservatórios de água na região.
- Em resposta à agressão dos EUA, militares iranianos atacaram várias bases americanas no Oriente Médio, informou na quarta-feira (10) o Quartel-General Central Khatam al Anbiya, principal órgão operacional do comando militar das Forças Armadas iranianas.

