Comandante da OTAN afirma que Rússia 'não busca um conflito' com a aliança

General Alexus G. Grynkewich contradiz preocupações sobre um possível ataque russo e diz que sua missão é manter a credibilidade da capacidade de dissuasão do bloco.

O general Alexus G. Grynkewich, comandante supremo das forças aliadas da OTAN na Europa, afirmou que a Rússia "não busca um conflito" com a aliança, contrariando preocupações manifestadas por alguns membros do bloco. A declaração foi feita durante um painel no Salão Aeronáutico ILA de Berlim, informou o Financial Times em publicação na quinta-feira (11).

Ao responder a uma pergunta sobre a possibilidade de um ataque russo aos países bálticos, Grynkewich disse que acompanha de perto os dados de inteligência e sustentou que Moscou compreende o caráter defensivo da OTAN. "A Rússia não busca um conflito. Entendem o conceito de 'aliança defensiva' e compreendem que temos várias vantagens assimétricas", afirmou.

O comandante acrescentou que sua tarefa é garantir a credibilidade da capacidade de dissuasão da OTAN, de forma que outros países entendam que não poderiam obter sucesso militar contra o bloco.

As declarações ocorrem em meio à redução de capacidades militares dos Estados Unidos na Europa. No início de maio, Donald Trump ameaçou retirar 5 mil soldados da Alemanha em meio a divergências verbais com o chanceler Friedrich Merz. Grynkewich confirmou os planos e afirmou que a medida envolve capacidades aéreas e marítimas que Washington considera necessárias em caso de problemas no Pacífico.

"A curto prazo, devemos nos concentrar no que podemos adquirir, mobilizar e ampliar rapidamente, além de manter no longo prazo. Isso inclui os sistemas de fogo de longo alcance", declarou o general.

No dia 4 de junho, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, classificou como "bobagem" e "provocação deliberada" as especulações de que Moscou pretenderia atacar países da OTAN no futuro. Segundo ele, tais alegações são difundidas para criar uma ameaça inexistente e justificar maiores gastos com defesa, além de fazer com que os cidadãos europeus arquem com os custos de apoio ao regime de Kiev.