Meloni rejeita isolamento de Israel enquanto Roma investiga ministro do país por tortura

Premiê italiana apoia sanções e restrições contra autoridades e colonos israelenses, mas afirma que romper relações não ajudaria a alcançar os objetivos da Europa.

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou nesta sexta-feira (12) que apoia diversas iniciativas restritivas contra Israel, mas rejeita medidas que levem ao isolamento do país. A declaração ocorre enquanto a Promotoria de Roma investiga o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, por suposta tortura e detenção violenta de ativistas da Flotilha Global Sumud.

Segundo Meloni, a Itália apoia medidas como sanções contra colonos israelenses, sanções contra ministros e restrições relacionadas a produtos provenientes de assentamentos. A premiê acrescentou que todas essas propostas serão avaliadas quando chegarem às instâncias competentes.

"Considero que ir além e isolar Israel não seria funcional para Israel, não seria funcional para nós nem para nossos objetivos, nem para uma presença europeia necessária para defender o que queremos defender, incluindo a manutenção da solução de dois Estados", declarou.

A investigação conduzida pela Promotoria de Roma está relacionada à abordagem da Flotilha Global Sumud, ocorrida em outubro em águas internacionais. Na ocasião, forças especiais israelenses assumiram o controle das embarcações pela força, segundo o relato apresentado.

Testemunhas e organizações de direitos humanosdenunciaram que os ativistas foram submetidos à violência física, permaneceram amarrados por horas, foram privados de comunicação com familiares e advogados e transferidos para centros de detenção em condições consideradas degradantes.

Entre os 430 detidos estavam jornalistas, médicos e voluntários de diversas nacionalidades. Segundo o material divulgado, governos como os da Itália, França e Espanha classificaram a operação como desproporcional e contrária ao direito internacional.

O caso reacendeu o debate na União Europeia sobre como condenar ações específicas de Israel sem romper completamente as relações diplomáticas. O texto cita que a França optou por proibir a entrada de Ben-Gvir em seu território, enquanto a investigação aberta pela Promotoria de Roma por tortura e sequestro é apresentada como uma das medidas mais contundentes adotadas até o momento.