O projeto franco-alemão Sistema Principal de Combate Terrestre (MGCS) está em crise. O programa visa desenvolver um tanque para substituir os veículos blindados Leopard 2 e Leclerc, mas recentemente, o CEO da fabricante alemã de armamentos Rheinmetall, Armin Papperger, confessou em entrevista ao jornal Welt am Sonntag que não descarta a possibilidade de a França se retirar da iniciativa.
"O risco sempre existe, mas nada foi decidido ainda", afirmou, alertando que Paris já considera cortar drasticamente o orçamento do projeto do tanque. Um valor de "menos da metade" do que havia sido planejado até agora está sendo discutido, embora Papperger tenha ressaltado que nenhuma decisão foi tomada sobre o orçamento final.
O chefe da gigante alemã de armamentos alertou que um corte no orçamento significaria a redução do desempenho do veículo blindado e, consequentemente, novos atrasos em um programa que já avança lentamente.
Papperger observou que, em quase uma década de desenvolvimento, as quatro empresas envolvidas receberam apenas 25 milhões de euros até o momento, um valor que ele descreveu como muito baixo para um projeto desse porte.
No ritmo atual, o tanque MGCS não deverá estar operacional antes da década de 2040, uma data que Papperger considerou excessivamente distante e que o levou a admitir que não pode garantir se haverá, de fato, um MGCS.
- A França e a Alemanha já abandonaram outro grande projeto para a construção conjunta de um caça de próxima geração, símbolo dos planos europeus de integração da defesa, em meio a profundas divergências industriais.
- O projeto, conhecido como Sistema Aéreo de Combate Futuro (FCAS), foi avaliado em 100 bilhões de euros. Ele se concentrava em um caça principal apoiado por drones e conectado por meio de uma "nuvem de combate" secreta.