
Do Irã à Ucrânia: virada de Trump causa nervosismo em aliados europeus no G7

Os aliados europeus de Kiev temem que Donald Trump volte a concentrar sua atenção no conflito ucraniano. Após a guerra com o Irã, é antecipado o risco de que o presidente americano tente ditar o ritmo das negociações ucranianas e marginalizar a Europa, de acordo com a reportagem do jornal Politico desta terça-feira (16).

Trump chegou à França um dia depois de seu aniversário com um "grande sorriso" e afirmou aos jornalistas que tudo estava indo "bem" antes de um encontro cordial com o presidente francês, Emmanuel Macron.
Já no encontro, Trump declarou que, uma vez resolvida a questão iraniana, poderá se concentrar em tentar pôr fim ao conflito na Ucrânia.
"Trump estar distraído não era necessariamente uma coisa ruim", teria afirmado um diplomata da União Europeia citado na publicação.
O conflito russo-ucraniano voltou ao primeiro plano nesta terça-feira (16) com uma sessão de trabalho entre Trump, outros líderes ocidentais e o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, na cúpula do G7. Segundo o jornal, o encontro pode ser usado para medir até onde Washington pretende tomar a iniciativa e que margem concederá aos europeus.
Zelensky se reuniu com Trump e Macron à margem da cúpula, realizada na cidade francesa de Évian de 15 a 17 de junho, informou a imprensa ucraniana, citando fontes anônimas.
- O presidente russo, Vladimir Putin, tem afirmado em diversas ocasiões que o país está comprometido em buscar uma solução diplomática para a crise ucraniana. Ele ressalta, no entanto, que qualquer acordo deve garantir a segurança da Rússia no longo prazo. Segundo Moscou, isso passa por eliminar as chamadas "causas profundas" do conflito, incluindo a expansão da OTAN, vista pelo Kremlin como uma ameaça, e questões relacionadas aos direitos da população de língua russa na Ucrânia.
- A proposta russa prevê que Kiev retire completamente suas tropas das autoproclamadas Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk, além das regiões de Zaporozhie e Kherson, incorporadas à Rússia após consultas populares em 2022. Também exige o reconhecimento desses territórios, assim como da Crimeia e de Sebastopol, como parte da Federação da Rússia. Além disso, Moscou defende que a Ucrânia adote um status de neutralidade, sem alinhamento militar, com desmilitarização e desnazificação do país.
- Ao longo do último ano, Rússia e Ucrânia realizaram diferentes rodadas de negociações diretas, além de encontros trilaterais com participação dos Estados Unidos. No entanto, o processo de paz acabou ficando estagnado.

