No fim de fevereiro de 2016, pescadores que navegavam próximo à ilha de Mindanao, nas Filipinas, encontraram um iate à deriva em alto-mar. Dentro da embarcação, a cena chamou atenção: o corpo do marinheiro alemão Manfred Fritz Bajorat, de 59 anos, estava sentado na cabine em estado de preservação incomum, lembrando uma múmia.
O achado rapidamente ganhou repercussão internacional pela forma como o corpo foi encontrado e pelo isolamento da embarcação no oceano. Bajorat estava próximo ao sistema de comunicação do barco, o que levantou a hipótese de que ele estaria tentando pedir ajuda antes de morrer.
A identificação de Bajorat só foi possível após a análise de documentos encontrados espalhados pela cabine da embarcação, conforme publicado pela mídia internacional. A perícia posterior apontou que o marinheiro teria morrido em decorrência de um ataque cardíaco, cerca uma semana antes de ser encontrado.
Preservação incomum
O estado do corpo chamou atenção de especialistas. A explicação mais aceita é que fatores ambientais dentro da cabine contribuíram para uma mumificação natural. A combinação de calor, ventilação constante e alta concentração de sal no ambiente marítimo teria acelerado a desidratação dos tecidos, retardando o processo de decomposição.
Embora raro, esse tipo de preservação pode ocorrer em condições muito específicas, especialmente em ambientes fechados e expostos a climas quentes e secos.
Esposa morta
Quando a embaixada da Alemanha nas Filipinas tentou localizar familiares de Bajorat, descobriu que sua ex-esposa havia morrido de câncer em 2010. Posteriormente, sua filha, Nina Bajorat, participou do processo de identificação do corpo.
As investigações também apontaram que o marinheiro vivia há anos em longos períodos de navegação solitária pelos oceanos. Relatos da imprensa indicam que esse estilo de vida pode ter se intensificado após mudanças em sua vida pessoal, embora não haja confirmação oficial sobre os motivos que o levaram a permanecer tanto tempo sozinho no mar.
Um caso que permanece lembrado
Mais de uma década após a descoberta, o caso de Manfred Fritz Bajorat segue sendo lembrado como uma das histórias mais incomuns já registradas em alto-mar. O contraste entre a imensidão do oceano e a solidão da embarcação contribuiu para que o episódio ganhasse destaque mundial.
Apesar do impacto visual da descoberta, a conclusão das autoridades foi direta: não havia indícios de crime, e a morte teria ocorrido por causas naturais, em um ambiente que acabou preservando o corpo de forma excepcional.