Seis manifestantes poloneses foram detidos temporariamente pela polícia de Berlim na terça-feira (16) após um incidente ocorrido nas proximidades do edifício do Reichstag, informou a imprensa local. O grupo, formado por integrantes de uma rede de ativistas, tentava instalar uma cruz de madeira em um memorial dedicado às vítimas polonesas da Segunda Guerra Mundial e da ocupação alemã entre 1939 e 1945.
Vídeos do episódio, que mostram a ação dos agentes, repercutiram nas redes sociais polonesas. Os manifestantes usavam coletes amarelos e, segundo a polícia, participavam de uma manifestação não autorizada.
De acordo com a polícia de Berlim, os participantes foram informados de que não poderiam deixar o local enquanto uma marcha oficial não fosse autorizada. Um dos vídeos mostra que as negociações entre os manifestantes e os agentes duraram mais de 20 minutos.
A situação se agravou quando o grupo começou a marchar apesar das orientações policiais. Houve empurrões e intervenções dos agentes. Seis ativistas foram detidos e levados algemados.
Em comunicado, a polícia informou que utilizou medidas coercitivas devido à resistência apresentada pelos manifestantes. As autoridades também declararam que o grupo rejeitou uma proposta de realizar o ato em um parque de esculturas ou de seguir individualmente até o memorial. Os seis detidos foram posteriormente liberados, e um porta-voz informou que os detalhes do caso continuam sendo apurados.
Reações políticas na Polônia
O presidente do partido de oposição Lei e Justiça (PiS), Jaroslaw Kaczynski, pediu uma resposta imediata das autoridades polonesas.
"O que faz a embaixada polonesa em Berlim? O que faz o Ministério das Relações Exteriores?", escreveu nas redes sociais, ao mesmo tempo em que criticou a atuação da polícia alemã.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Polônia, Maciej Wewiór, declarou que "nosso cônsul está no local e esclarece atualmente as razões e as circunstâncias da detenção".
Segundo o jornal polonês Rzeczpospolita, dezenas de pessoas protestaram em frente à embaixada da Alemanha em Varsóvia na noite de terça-feira. Posteriormente, alguns políticos se dirigiram à sede do Ministério das Relações Exteriores da Polônia para realizar uma fiscalização parlamentar.
Marcin Przydacz, chefe do Escritório de Política Internacional da Presidência polonesa, afirmou ao jornal que a presença do corpo consular no local foi uma resposta inicial, mas defendeu uma "intervenção política". Segundo ele, cidadãos poloneses "merecem ser apoiados em uma situação em que são tratados de forma inadequada", dirigindo-se ao chanceler Radoslaw Sikorski.