Senador dos EUA propõe transferir metade das gigantes de IA ao controle público — AP

Proposta criaria comissão independente com poder de veto sobre decisões corporativas e garantiria pagamentos anuais de mais de US$ 1.000 por cidadão através de dividendos do fundo público.

O senador Bernie Sanders apresentou uma proposta legislativa inédita para transferir parte substancial do controle das gigantes de inteligência artificial ao público americano, de acordo com uma reportagem exclusiva da agência de notícias Associated Press (AP) publicada nesta quinta-feira (18).

A iniciativa prevê a criação de um fundo soberano financiado por um imposto único de 50% sobre as ações das maiores empresas do setor.

Uma comissão independente de sete membros, indicada pelo presidente e confirmada pelo Senado, administraria o fundo. Esse conselho utilizaria o poder de voto para vetar decisões corporativas prejudiciais aos cidadãos e promover políticas favoráveis ao interesse público.

A medida obrigaria companhias que alcançarem US$ 200 milhões (cerca de R$ 1 trilhão) em vendas anuais relacionadas à IA deveriam transferir ações — não dinheiro — ao fundo. Sanders projeta que dividendos anuais de 5% permitiriam pagamentos diretos superiores a US$ 1 mil (cerca de R$ 5 mil) por cidadão. Eventuais lucros adicionais seriam direcionados a áreas como educação, moradia e saúde.

De quem é o futuro da IA?

A proposta surge quando o debate sobre propriedade pública da IA atrai interesse de espectros ideológicos diversos. O próprio presidente Donald Trump mencionou a possibilidade de parceria entre governo e setor privado, enquanto Sam Altman, CEO da OpenAI, sugeriu a criação de fundos que garantam participação popular no crescimento econômico impulsionado pela tecnologia.

Contudo, a abordagem de Sanders é consideravelmente mais ousada que essas alternativas. O senador estima que essa medida geraria aproximadamente US$ 7 trilhões (cerca de R$ 35,8 trilhões), transformando a população em acionista majoritária das principais corporações de inteligência artificial do país.

Sanders argumenta que, diferentemente de tributos tradicionais, os contribuintes não arcariam com perdas caso o valor das empresas decline.

Ele criticou propostas que limitem a participação pública a pequenos percentuais dos lucros, caracterizando-as como tentativas de "comprar o silêncio da população" enquanto bilionários acumulam riquezas extraordinárias.