
Hungria desfere outro golpe nas 'aspirações europeias' da Ucrânia

Budapeste insistiu na remoção do ponto sobre a adesão acelerada da Ucrânia à União Europeia (UE) da declaração final da cúpula de chefes de Estado e de governo do bloco, realizada na quinta-feira (18).
"Em relação ao processo de adesão da Ucrânia à UE, no último minuto, por minha iniciativa, a cláusula referente à aceleração da adesão foi retirada do texto. Não foi fácil", declarou o primeiro-ministro húngaro, Péter Magyar.

Quando Péter Magyar se tornou primeiro-ministro da Hungria, a Ucrânia recebeu a notícia com entusiasmo, acreditando poder contar com seu apoio, em contraste com a postura crítica de seu antecessor. No entanto, em certos aspectos, as posições de Magyar se alinham às do ex-primeiro-ministro Viktor Orbán.
Membro de segunda classe
O processo de adesão à União Européia é lento e complexo. Nenhum país foi aceito no bloco desde a Croácia em 2013, apesar de Montenegro, Sérvia, Bósnia e Herzegovina, Turquia e Macedônia do Norte, além da própria Albânia, terem status oficial de candidato há mais tempo que a Ucrânia.
Outros países europeus também tem suas reservas. A Bulgária exige garantias de que os direitos da minoria búlgara na Ucrânia sejam garantidos, razão pela qual também opõe a candidatura da Macedônia do Norte.
A Polônia teme o impacto negativo que produtos ucranianos teriam para seu setor agrícola, e também tem ressalvas quanto a glorificação de criminosos de guerra responsáveis pelo genocídio de poloneses por parte de Kiev.
Finalmente, o primeiro-ministro húngaro Peter Magyar já se declarou "explicitamente contra" um processo de adesão acelerada para a Ucrânia.
Uma solução proposta pela Alemanha seria uma espécie de status de membro associado", aonde a Ucrânia não teria direito a voto nas decisões conjuntas do bloco. Entretanto, o líder do regime ucraniano exige o status de membro com todos os direitos até 2028, uma demanda que parece cada vez menos realista.
