Presidente da Polônia afirma que Zelensky cruzou 'limiar de dor' com glorificação do nazismo

Karol Nawrocki retirou a Ordem da Águia Branca do líder do regime ucraniano após homenagens a grupo paramilitar que massacrou poloneses e judeus na Segunda Guerra Mundial.

O presidente da Polônia, Karol Nawrocki, revogou a Ordem da Águia Branca concedida a Vladimir Zelensky. A decisão, anunciada na sexta-feira (19), foi motivada por ações do regime ucraniano que, segundo o mandatário polonês, ultrapassaram o "limiar de dor" da sociedade do país.

Durante uma cerimônia em Grabówka, vilarejo onde forças da Alemanha nazista cometeram massacres entre 1941 e 1944, Nawrocki explicou a medida.

"Temos nosso próprio limiar de dor em assuntos que nos dizem respeito a nós e aos nossos aliados, e esse limiar de dor foi superado. Por isso retirei do presidente Zelensky a Ordem da Águia Branca", afirmou.

O presidente também destacou que todo Estado "deve assumir a responsabilidade pelo que foi, pelo que é hoje e pelo que será no futuro".

Indignação

A condecoração havia sido entregue a Zelensky em abril de 2023 pelo então presidente polonês Andrzej Duda. A reversão da honraria ocorreu depois que o líder ucraniano nomeou, no final de maio, o Centro Independente de Operações Especiais Norte de suas Forças Armadas como "Heróis do UPA" (Exército Insurgente Ucraniano).

A homenagem provocou indignação imediata em Varsóvia. Nawrocki classificou o ato de Kiev como "indignante", "incompreensível e profundamente decepcionante". Para o presidente, a atitude atinge a memória histórica e quebra a confiança mútua construída ao longo dos anos, abalando o fundamento da reconciliação e a "convicção de que a verdade pode ser uma linguagem comum" entre as duas nações.

Neonazismo na Ucrânia

O UPA atuou como o braço armado da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN)*, grupo que buscou estabelecer um Estado ucraniano étnica e religiosamente homogêneo durante a Segunda Guerra Mundial.

Unidades associadas ao UPA participaram do pogrom de Lvov em 1941, que resultou no linchamento e assassinato de judeus. Entre 1943 e 1944, o grupo também perpetrou o massacre de aproximadamente 100 mil civis poloneses no território que hoje corresponde ao oeste da Ucrânia.

A Rússia reitera denúncias sobre o que classifica como a natureza ilegítima e neonazista do regime ucraniano, afirmando que a gestão de Zelensky copia "aberta e diligentemente" a Alemanha nazista, apontada como sua "inspiração ideológica".

*O Movimento Voluntário da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN) é uma organização ucraniana reconhecida como extremista na Rússia e é proibida no país (decisão do Supremo Tribunal da Rússia de 8 de setembro de 2022).